Faltam cinco meses para o Enem: como estudar sem desespero

Segundo João Augusto Carvalho, um dos erros mais frequentes entre os candidatos é deixar de lado a parte teórica e estudar apenas por meio da resolução de questões -  (crédito: Divulgação)

Segundo João Augusto Carvalho, um dos erros mais frequentes entre os candidatos é deixar de lado a parte teórica e estudar apenas por meio da resolução de questões – (crédito: Divulgação)

Faltando cerca de cinco meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), candidatos ainda têm tempo para recuperar conteúdos, corrigir falhas na preparação e aumentar as chances de conquistar uma vaga na universidade. Especialistas afirmam que o período exige estratégia, organização e adaptação ao estilo da prova, considerada uma das mais longas e desgastantes do país.

Nesta reta final dos estudos, muitos estudantes acreditam que o tempo está acabando. No entanto, o professor de Geografia do Galois, João Augusto Carvalho, afirma que ainda há uma boa margem para avançar na preparação. Segundo ele, este não é o momento de desanimar, mas de identificar dificuldades e direcionar os esforços para os conteúdos que exigem mais atenção.

Nessa fase, uma das principais recomendações é recorrer às edições anteriores do exame para identificar os conteúdos mais relevantes, os assuntos que aparecem com maior frequência e os temas que podem servir de repertório para diferentes áreas da prova.

“O Enem é uma maratona”

Além do domínio dos conteúdos, é fundamental que o candidato esteja adaptado ao formato da prova e ao tempo exigido para realizá-la.

“O Enem é uma prova cansativa. Se fôssemos comparar com um esporte, ela seria uma maratona. São 90 questões em um dia, 90 questões em outro, com textos muito grandes, o que provoca um desgaste energético para ler, compreender e responder questões. E isso precisa estar treinado”, reforça o professor.

Nesse contexto, a organização é uma peça essencial para montar um cronograma de estudos eficiente. O especialista recomenda conciliar revisão de conteúdo com resolução de questões e, claro, a prática da redação.

“Os temas das redações e as matérias cobradas em questões de provas antigas podem acabar surgindo como um conteúdo que você viu há alguns meses e que será obrigado a recordar”, destaca. “Então, use a questão não só para identificar se você sabe ou não sobre o conteúdo, mas também como um método de estudo.”

Sobre a periodicidade das revisões, o professor recomenda que elas sejam feitas a cada sete dias, para favorecer a fixação do conteúdo sem sobrecarregar o cérebro. Além disso, é importante testar a memória ao longo de todo o processo. Antes de consultar anotações, por exemplo, vale a pena tentar lembrar o máximo possível sobre determinado assunto. “Esse exercício fortalece a aprendizagem sem exigir muito tempo”, destaca.

Erros comuns

Segundo João Augusto Carvalho, um dos erros mais frequentes entre os candidatos é deixar de lado a parte teórica e estudar apenas por meio da resolução de questões. “Tem candidato que se limita a fazer exercícios: acertou, ótimo; errou, corrige ali e vai para o próximo. Isso pode prejudicar o candidato em algumas questões que vão cobrar um nível técnico mais elevado”, explica.

Outro equívoco recorrente é não praticar a redação. De acordo com o professor, escrever um texto em casa, em um ambiente tranquilo, é muito diferente de produzir uma redação sob a pressão do dia da prova.

Além disso, ficar no celular não é sinônimo de estar bem informado. Por isso, é importante acompanhar notícias, conhecer diferentes temas e desenvolver o pensamento crítico — habilidade que, segundo o especialista, tem sido cada vez mais terceirizada pelo uso excessivo da inteligência artificial.

“Hoje, com o uso cada vez maior da inteligência artificial, alguns candidatos acabam terceirizando o processo de reflexão. O problema é que, no dia da prova, estarão sozinhos diante das questões e não vão conseguir resgatar aquele conteúdo”, afirma.

Outro erro comum é deixar de lado justamente as disciplinas em que há mais dificuldade. Em uma prova extensa como o Enem, negligenciar determinados conteúdos pode custar caro ao candidato. Mesmo sem afinidade com uma matéria específica, é importante buscar uma evolução mínima em todas as áreas do conhecimento.

Redação

A redação continua sendo um dos maiores desafios do Enem. Diferentemente das demais partes da prova, ela exige que o candidato analise um tema inédito, organize ideias e construa uma argumentação consistente em um curto período de tempo. “Isso requer um bom repertório, um bom conhecimento de mundo”, diz o professor.

Por isso, além da leitura de jornais e do acompanhamento das notícias, é fundamental compreender como o mundo funciona e desenvolver a capacidade de refletir criticamente sobre diferentes problemas. “A leitura tem um papel central nesse processo. Quem lê mais amplia o vocabulário, melhora a interpretação de textos e desenvolve maior facilidade para organizar ideias na escrita. Em outras palavras, aprender a ler bem é um dos caminhos mais eficazes para aprender a escrever bem”, reforça.

Saúde mental

Se dominar os conteúdos é importante, cuidar da saúde mental também faz parte da preparação para o exame. Segundo João Augusto Carvalho, a ansiedade pode comprometer o desempenho até mesmo de estudantes que chegam bem preparados à prova.

Para minimizar esse impacto, o professor recomenda que os candidatos se familiarizem com as condições reais do Enem. Fazer simulados em casa, nos mesmos horários e dias do exame, pode ajudar a reduzir a insegurança e tornar a experiência mais previsível.

“A saúde mental é tão importante quanto o domínio dos conteúdos. Quando o estudante sabe como será sua rotina no dia da prova, o que vai levar e como administrar o tempo, ele reduz muitas das incertezas que costumam gerar ansiedade”, afirma.

Outro cuidado importante é evitar o excesso de informações nas redes sociais. De acordo com o especialista, a busca constante por novos métodos de estudo pode gerar comparações e insegurança. “O melhor método é aquele que o aluno consegue desempenhar, aquele que foi treinado e funciona para a sua realidade”, destaca.

Quem tem pouco tempo para estudar

Nem todos os candidatos conseguem dedicar várias horas por dia aos estudos. Nesses casos, a recomendação é priorizar os conteúdos que historicamente aparecem com mais frequência na prova e concentrar esforços nos temas considerados mais relevantes.

Ferramentas como flashcards e revisões espaçadas também podem ajudar a aumentar a retenção do conteúdo sem exigir longos períodos de estudo. “Quando o tempo é limitado, eficiência é mais importante do que quantidade”, resume o professor.

Mais do que decorar conteúdos

Para João Augusto Carvalho, o perfil dos processos seletivos tem exigido dos candidatos competências que vão além da memorização. Além de dominar os conteúdos, é fundamental compreender o estilo das questões, conhecer os critérios de correção e desenvolver estratégias para lidar com a prova.

Habilidades como leitura crítica, interpretação de textos e resolução de problemas seguem entre as mais valorizadas. A capacidade de manter o foco e o rendimento ao longo de uma prova extensa também pode ser decisiva para a aprovação. “O Enem exige não apenas conhecimento, mas a capacidade de aplicar esse conhecimento sob pressão”, afirma.

Com cerca de cinco meses até o exame, a principal orientação é aproveitar o tempo disponível de forma estratégica. Revisões periódicas, resolução de questões, prática de redação e atenção à saúde mental podem fazer diferença no resultado final. Afinal, como lembra o professor, o Enem não é uma corrida de velocidade, mas uma maratona que exige preparo, constância e planejamento.

O “Descobrimento” do Maranhão

A expansão marítima e comercial europeia iniciada no século XV, tendo Portugal como pioneiro, seguido pela Espanha e, mais tardiamente, pelas demais nações europeias, como França, Inglaterra e Holanda, deu origem ao que ficou conhecido como a “Era das Grandes Navegações”. Em busca de uma nova rota comercial para as Índias (Extremo Oriente), que não fosse a via do Mediterrâneo, monopolizada pelas cidades italianas de Gênova e Veneza, Portugal, que precocemente centralizou seu poder político e era favorecido geograficamente, teve a primazia de se lançar além-mar, deslocando, assim, o eixo comercial do Mediterrâneo para o Atlântico. A partir daí, o alvo dessas nações europeias passou a ser, principalmente, as terras localizadas na porção oeste do Oceano Atlântico: a América.

É nesse contexto de expansionismo comercial e marítimo europeu, das práticas mercantilistas e da transição do feudalismo para o capitalismo, que o Maranhão é “descoberto”. Falar sobre o pioneirismo dos navegadores na costa maranhense é um assunto bastante controverso, devido à impossibilidade de se determinar com precisão quem foi o primeiro europeu a chegar por estas paragens.

O historiador Mário Meireles, em seu livro História do Maranhão (1960), cita uma relação de navegadores que possivelmente tenham chegado ao Maranhão no século XV. Esses primeiros navegadores seriam, respectivamente: Diego de Teive, em 1452; Gonçalo Fernandes Távora e João Vogado, em 1460; João Coelho, em 1493; Alonso de Ojeda, Juan de la Cosa e o famoso Américo Vespúcio, em 1497. Estes últimos chegaram até a foz do rio Amazonas.

Incluído nessa longa lista de possíveis “descobridores” está também o navegador Duarte Pacheco Pereira, que teria visitado a costa maranhense em 1498. Foi ele o representante português nas negociações do Tratado de Tordesilhas e, diga-se de passagem, sua participação foi imprescindível para que o tratado fosse favorável a Portugal. Alonso de Ojeda realizou ainda uma segunda viagem à costa nordestina brasileira, em 1499, navegando até o litoral do atual Rio Grande do Norte.

Além de todos esses navegadores acima citados, não podemos deixar de evocar o nome do não menos famoso navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón. Em janeiro de 1500, Pinzón teria estado no litoral maranhense, descendo até Pernambuco, “cuja precedência sobre Cabral no Brasil não há dúvidas” (Meireles, 1960, p. 10).

Então, Pinzón “descobriu” o Maranhão e o Brasil? Não, caso se confirme a viagem secreta de Duarte Pacheco Pereira à costa maranhense e à foz do Amazonas, realizada em 1498, quatro anos após o famoso Tratado de Tordesilhas.

De qualquer maneira, o litoral maranhense foi uma das primeiras partes da costa brasileira visitadas por navegadores europeus no século XV, inclusive em razão de sua posição geográfica privilegiada, localizada no litoral norte do Brasil. Na verdade, não podemos afirmar com certeza quem primeiro aportou nas costas maranhenses e brasileiras. Contudo, uma coisa podemos assegurar: o Maranhão e o Brasil já eram conhecidos pelos portugueses muito antes da chegada de Cabral à Bahia, em 1500. Esse episódio, mais do que uma descoberta, representou uma escala realizada por Cabral quando rumava em direção às Índias, com o objetivo de tomar posse do território antes que outras nações europeias o fizessem.

A prova de que os portugueses já sabiam da existência do Brasil antes de Cabral fica evidente por ocasião da partilha do Novo Mundo entre Portugal e Espanha, após a chegada de Colombo à América, em 1492. Naquele momento, o rei de Portugal, D. João II, não aceitou o acordo inicial promovido pelo Papa Alexandre VI, denominado Bula Inter Coetera (1493), que estabelecia um meridiano de polo a polo, a cem léguas a oeste das Ilhas de Cabo Verde, determinando que tudo o que ficasse a leste pertenceria a Portugal e tudo o que estivesse a oeste seria da Espanha.

Com essa primeira proposta, Portugal ficaria prejudicado, limitando-se praticamente ao Oceano Atlântico. Não aceitando esse acordo inicial e ameaçando recorrer até mesmo à guerra, se necessário, Portugal exigiu o deslocamento do meridiano de cem para trezentas e setenta léguas a oeste de Cabo Verde, culminando na assinatura da Capitulação da Partilha do Mar Oceano, mais conhecida como Tratado de Tordesilhas. Tal fato reforça a suspeita de que os portugueses possuíam conhecimento prévio das terras onde mais tarde se estabeleceria o Brasil.

Além disso, existem outras evidências que demonstram como Portugal sabia mais do que anunciava sobre as terras do Novo Mundo. Um exemplo é o mapa de Cantino, de 1502, no qual já aparece representada a costa brasileira, desde o litoral norte até o litoral sudeste. Como explicar isso, se as únicas viagens oficiais realizadas por espanhóis e portugueses à costa do Brasil antes de 1502 foram, respectivamente, as de Pinzón até a foz do Amazonas e a de Cabral até a atual Bahia?

Tudo isso leva a confirmar que, antes de Pedro Álvares Cabral, o Maranhão e o Brasil foram visitados inúmeras vezes por navegadores europeus. Contudo, não houve tomada formal de posse dessas terras. Isso se explica, de um lado, pela política de sigilo adotada por Portugal, que evitava divulgar informações sobre suas descobertas; de outro, pelo próprio Tratado de Tordesilhas, que impedia que navegadores anteriores a Cabral reivindicassem oficialmente esses territórios. Foi o caso de Pinzón que, ao chegar aqui em janeiro de 1500, não reivindicou para a Espanha a “descoberta” do Brasil, por saber que essas terras, de acordo com o tratado de 1494, já pertenciam à Coroa portuguesa.

No entanto, a principal crítica que deve ser feita à perspectiva tradicional do “descobrimento” do Maranhão e, por extensão, do Brasil, não se limita à discussão sobre a prioridade da descoberta por espanhóis ou por qualquer outro povo europeu. É necessário contestar a própria noção de “descobrimento”, construída sob a ótica do colonizador europeu, como se no território que posteriormente se tornaria o Brasil não existissem sociedades organizadas e culturalmente diversas.

O Maranhão e o Brasil não nasceram com a chegada dos colonizadores europeus em 1500. Já existia aqui uma rica vida social, representada pelas inúmeras nações indígenas, com seus usos, costumes e formas próprias de organização. O Brasil já havia sido verdadeiramente descoberto, ocupado e habitado pelos povos indígenas milhares de anos antes da chegada dos portugueses. Portanto, a presença dos europeus nessas terras, a partir do século XV, seria mais corretamente classificada como invasão, posse ou ocupação, e não como descobrimento.

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Terceirão Não Tira Férias abre inscrições e deve impactar 30 mil estudantes no Maranhão

SÃO LUÍS – A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) abriu, nesta quarta-feira (17), as inscrições para mais uma edição do Terceirão Não Tira Férias, programa voltado à preparação de estudantes da rede pública estadual para o Enem e o Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior (Paes) da Uema.

A iniciativa é considerada uma das principais ações de reforço educacional do estado e deve beneficiar cerca de 30 mil estudantes da 3ª série do Ensino Médio em todo o Maranhão.

As inscrições podem ser feitas até o dia 23 de junho, exclusivamente pelo site oficial do programa. Os interessados devem acessar o sistema da Seduc, informar CPF e data de nascimento, escolher a escola polo desejada e concluir o cadastro.

Terceirão Não Tira Férias acontecerá em 300 escolas

Nesta edição, o Terceirão Não Tira Férias contará com 300 escolas polo distribuídas pelos municípios maranhenses. Cada unidade terá 100 vagas imediatas e outras 20 para cadastro de reserva, ampliando o acesso dos estudantes às atividades presenciais de revisão e preparação para os principais vestibulares do estado.

As atividades serão realizadas entre os dias 1º e 21 de julho, período em que os participantes terão acesso a aulas, revisões e exercícios focados nas competências exigidas pelo Enem e pelo Paes.

Criado há quase uma década, o programa se consolidou como uma importante ferramenta de apoio aos estudantes da rede pública, oferecendo metodologia dinâmica, professores experientes e conteúdos direcionados para as provas.

A expectativa é que a ação contribua para melhorar o desempenho dos participantes e ampliar as chances de ingresso no ensino superior.

Conteúdo do Terceirão Não Tira Férias ficará disponível online

Além das aulas presenciais, os estudantes poderão rever todo o material utilizado durante o programa após o encerramento das atividades.

As videoaulas e conteúdos ficarão disponíveis na Plataforma Gonçalves Dias e também no canal oficial da Seduc no YouTube, permitindo que os participantes revisem os temas quantas vezes desejarem.

Com acesso gratuito e abrangência estadual, o Terceirão Não Tira Férias segue como uma das principais apostas da educação maranhense para fortalecer a preparação dos estudantes antes das provas mais importantes do ano.

Projeto Reviva Rio avança na revitalização de rios em São Luís

Márcio Cruz, Tavares e Fábio Júnior em entrevista ao Atualidades, com Marcelo Rodrigues e Anna Clara Dias.

Márcio Cruz, Tavares e Fábio Júnior em entrevista ao Atualidades, com Marcelo Rodrigues e Anna Clara Dias. (Wesly Lima/Mirante News FM)

SÃO LUÍS – O Atualidades, desta terça-feira (16), recebeu os voluntários e coordenadores do Projeto Reviva Rio para discutir o andamento das ações de recuperação ambiental na Ilha de São Luís. Participaram da entrevista Márcio Cruz, empresário e idealizador do projeto; Tavares, presidente da Associação de Moradores de Santa Bárbara; e Fábio Júnior, empresário e líder das ações no Rio Aurora (bairro Aurora).

O debate abordou o sucesso dos mutirões de limpeza, o mapeamento técnico de nascentes e o crescimento da iniciativa, que já começa a atrair o interesse de comunidades de outras regiões, como o Rio São Joaquim.

São Luís ganha primeira microfloresta urbana em iniciativa inédita da Prefeitura

Em meio à rotina movimentada do Centro Histórico e ao cenário típico do mês de junho, São Luís ganha um novo símbolo de sustentabilidade. Nesta terça-feira (16), a capital recebeu a sua primeira microfloresta urbana, iniciativa implantada pela Prefeitura de São Luís, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam), em parceria com a Heineken®, em uma ação considerada histórica para a cidade.

Instalada no retorno da Avenida Senador Vitorino Freire, nas proximidades da Capela de São Pedro, mais de 1.200 mudas de árvores, entre elas espécies nativas maranhenses, já tiveram suas mudas com plantio iniciado, transformando um espaço antes predominantemente gramado em um ambiente voltado à recuperação da biodiversidade e à valorização da paisagem urbana.

A ação integra a plataforma “Green Your City”, da Heineken®, e utiliza a metodologia “Floresta de Bolso”, desenvolvida pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim. O modelo acelera a regeneração da vegetação e proporciona benefícios como a melhoria da qualidade do ar, redução das ilhas de calor, aumento da permeabilidade do solo e fortalecimento da fauna local.

Com a implantação, São Luís passa a integrar o grupo de capitais brasileiras contempladas pelo projeto, que já está presente em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Belém, Porto Alegre e Salvador. A meta da empresa é levar a iniciativa para 19 capitais brasileiras até 2030.

Durante a cerimônia, a prefeita Esmênia Miranda destacou que as mudanças climáticas já fazem parte do cotidiano e reforçou que investir em áreas verdes significa cuidar do presente e do futuro da cidade. “A gente fala muito de meio ambiente como se fosse algo distante, mas ele está presente no nosso dia a dia. Todos percebem a diferença de temperatura em bairros mais arborizados. Hoje estamos plantando mais de 1.200 mudas, mas, acima de tudo, estamos plantando futuro”, afirmou.

A prefeita também lembrou que São Luís possui um Plano Municipal de Arborização e estabeleceu a meta de plantar três milhões de árvores em dez anos.

Parceria em favor do futuro

Representando a Heineken no Maranhão, Jean Fernando Nadolny, destacou que o projeto possui uma visão de futuro a longo prazo. “É uma satisfação estar aqui em São Luís representando a Heineken junto com a Prefeitura. Esse projeto vai muito além de apenas plantar árvores. Estamos construindo o protagonismo do que esperamos para as cidades do futuro. Esta é a oitava microfloresta implantada pela Heineken no Brasil e faz parte do nosso pilar de sustentabilidade, com uma visão que ultrapassa 2030”, afirmou.

Idealizador da metodologia e trabalhando em parceria com a Heineken desde a implantação da primeira microfloresta executada pela empresa, o botânico e paisagista Ricardo Cardim ressaltou a importância de discutir o meio ambiente a partir da realidade urbana. “De cada dez brasileiros, nove vivem nas cidades, mas ainda se fala pouco sobre o meio ambiente urbano, aquele que impacta diretamente a saúde física e mental das pessoas e a qualidade de vida das famílias. Queremos mostrar que a floresta também pertence à cidade e que, quando convidamos a natureza de volta, todos ganham”, explicou.

Segundo ele, as microflorestas são pequenas restaurações ecológicas capazes de permanecer por séculos, ajudando a reduzir temperaturas, favorecer a formação de chuvas, diminuir enchentes e ampliar a biodiversidade. Ricardo também destacou a presença do babaçu entre as espécies plantadas. “Essa é uma palmeira símbolo do Maranhão e da Mata dos Cocais. Ter o babaçu compondo essa microfloresta é resgatar uma memória ambiental e cultural do estado. São árvores que poderão permanecer aqui por mais de cem anos”, disse.

Benefícios ambientais e resgate da identidade cultural

A secretária municipal de Meio Ambiente (Semmam), Denise Gasparinho, classificou a implantação da primeira microfloresta urbana de São Luís como um dos momentos mais marcantes de sua trajetória à frente da pasta.

“Estamos implantando a primeira microfloresta urbana de São Luís e os benefícios são inúmeros. Além dos impactos positivos para o clima, estamos promovendo o resgate da nossa identidade cultural por meio do plantio de espécies nativas. Muitas vezes, conhecemos mais as plantas exóticas do que aquelas que fazem parte da nossa própria história. Com essa iniciativa, estamos valorizando a flora maranhense e trazendo de volta árvores que representam a nossa região”, destacou.

Plano Municipal de Arborização

Nos últimos anos, a Prefeitura de São Luís vem fortalecendo as políticas voltadas à ampliação da cobertura vegetal da cidade. Um dos principais instrumentos desse trabalho é o Plano Municipal de Arborização, elaborado para executar de forma técnica o plantio, a manutenção e a expansão das áreas verdes em ruas, avenidas, praças e demais espaços públicos.

A iniciativa estabelece metas de longo prazo e prioriza o uso de espécies adequadas ao ambiente urbano, com atenção especial às árvores nativas, capazes de preservar a biodiversidade local. O plano também busca evitar problemas causados pelo plantio inadequado, como danos às calçadas, interferências na rede elétrica e conflitos com a infraestrutura urbana.

Dentro dessa política, a gestão municipal estabeleceu a meta de plantar três milhões de árvores ao longo dos próximos dez anos, em um esforço coletivo que envolve poder público, instituições parceiras e a própria população. Atualmente, a cidade realiza o plantio de cerca de 3.500 mudas por semestre, além de promover ações permanentes de recuperação de áreas degradadas e revitalização de espaços públicos.

Outra frente importante é o Link Verde (https://linkverde.saoluis.ma.gov.br/formulario), que democratiza o acesso às mudas e incentiva a participação dos moradores na construção de uma cidade mais arborizada. Por meio de cadastro gratuito, cada cidadão pode solicitar até cinco mudas de espécies disponíveis e retirá-las no Parque do Bom Menino. Desde a criação do programa, mais de 100 mil mudas já foram distribuídas à população.

Somadas a iniciativas como a implantação da primeira microfloresta urbana da capital, as ações integram uma estratégia mais ampla da Prefeitura de São Luís para tornar a cidade mais sustentável, resiliente às mudanças climáticas e preparada para os desafios ambientais das próximas décadas.

O presidente do Instituto Municipal da Paisagem Urbana (Impur), Walber Filho, lembrou que São Luís vem desenvolvendo essa política contínua de arborização e destacou o esforço conjunto que possibilitou a conquista do atual projeto da primeira microfloresta.

“Receber a primeira floresta de bolso da história de São Luís é motivo de muita gratidão. Esta é a oitava do Brasil e a terceira do Nordeste. Tivemos uma grande mobilização para atender todos os critérios técnicos e reunir as mudas nativas necessárias. O resultado é um espaço que vai beneficiar gerações”, afirmou.

A ação desta terça-feira (16) reuniu representantes do secretariado municipal, lideranças políticas e comunitárias, além de servidores públicos, que prestigiaram a solenidade de implantação da primeira microfloresta urbana de São Luís.

Brandão confirma pagamento de precatórios do Fundef no MA

SÃO LUÍS – Os precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) começaram a ser pagos aos professores da rede estadual de ensino do Maranhão. O anúncio foi feito nesta terça-feira (16) pelo governador Carlos Brandão (MDB), que informou a liberação da terceira parcela dos recursos para aposentados e a antecipação do pagamento destinado aos profissionais desligados da rede.

Segundo o governador, os valores destinados aos professores aposentados já foram depositados nas contas dos beneficiários. Já os profissionais desligados receberão os recursos nesta terça-feira, antes da data prevista no cronograma divulgado pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

Mais de 42 mil beneficiários

De acordo com a Seduc, os precatórios do Fundef contemplam mais de 42 mil beneficiários entre profissionais ativos, aposentados, desligados e herdeiros.

Ao todo, mais de R$ 1 bilhão está sendo destinado ao pagamento da terceira parcela dos recursos oriundos da complementação da União ao antigo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).

Pagamento de herdeiros

Brandão informou que os herdeiros dos beneficiários seguirão o calendário já divulgado pela Seduc.

Os pagamentos estão previstos para começar a partir de 22 de junho, conforme o andamento da análise e tramitação de cada processo.

Recursos da ação judicial

A Seduc também confirmou a atualização dos valores das cotas utilizadas no cálculo dos repasses e o depósito da terceira parcela do valor controverso do precatório.

Os precatórios do Fundef são resultado da ação judicial relacionada à complementação da União ao fundo e têm como objetivo beneficiar profissionais da educação que atuaram na rede estadual nos períodos contemplados pela decisão judicial.

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Bloqueio de verbas: MEC suspende repasses a universidades

Um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no orçamento do Ministério da Educação (MEC) levou o governo federal a alterar o repasse de recursos para as universidades federais. A pasta deixou de realizar as transferências semanais destinadas ao custeio das instituições e ainda não informou quando os próximos valores serão liberados.

Segundo relatos de reitores, a falta de previsibilidade já afeta o funcionamento das universidades, que enfrentam dificuldades para cumprir contratos e planejar despesas.

O MEC atribui a medida à reprogramação orçamentária promovida pelo governo para adequar as contas públicas às regras fiscais.

Governo Lula anuncia programa de devolução de celulares roubadosGoverno Lula anuncia programa de devolução de celulares roubados
Este é o terceiro ano consecutivo em que decisões orçamentárias do governo Luiz Inácio Lula da Silva afetam as universidades federais| Foto| Reprodução/ YouTube/ @LulaOficial

Além do bloqueio nas verbas discricionárias da pasta, o governo também reteve R$ 1,03 bilhão em emendas parlamentares ligadas à Educação. A contenção de recursos está prevista para ocorrer em etapas ao longo do segundo semestre.

Governo impõe novas restrições à execução do orçamento

O impacto sobre as universidades ocorre depois da publicação, em 29 de maio, de um decreto presidencial que reprogramou a execução orçamentária dos ministérios.

Na prática, a medida reduziu os limites de gastos discricionários e alterou o cronograma de liberação de recursos para diferentes áreas do governo.

Além do bloqueio de verbas, o Executivo adotou mecanismos de controle conhecidos como faseamento de empenho, que restringem temporariamente a contratação de despesas pelos órgãos federais.

Este é o terceiro ano consecutivo em que decisões orçamentárias do governo Luiz Inácio Lula da Silva provocam reflexos sobre o funcionamento das universidades federais.

A nova restrição ocorre pouco mais de um ano depois de o MEC prometer às instituições um modelo de repasses mais previsível, com a liberação mensal de recursos equivalente a 1/12 do orçamento anual de cada universidade.

Fátima Travassos é reeleita para o cargo de corregedora-geral do MPMA

Fátima Travassos vai comandar a Corregedoria-Geral do MPMA por mais dois anos

A procuradora de justiça Maria de Fátima Rodrigues Travassos Cordeiro foi reeleita nesta segunda-feira, 15, para mais um biênio à frente da Corregedoria-Geral do Ministério Público do Maranhão (MPMA).

Do total de 34 procuradores de justiça aptos a votar, Fátima Travassos obteve 27 votos. O outro concorrente, procurador de justiça Abel José Rodrigues Neto, teve três votos; houve ainda dois votos em branco e duas abstenções.

O processo de votação foi coordenado pela Comissão Eleitoral formada pelas procuradoras de justiça Regina Maria da Costa Leite (presidente), Themis Maria Pacheco de Carvalho, Mariléa Campos dos Santos Costa (membros titulares) e Rodolfo Soares dos Reis (suplente).

Comissão Eleitoral coordenou a votação

Após a divulgação do resultado, a corregedora-eleitoral agradeceu aos colegas pela votação e declarou que o trabalho terá continuidade no biênio 2026-2028. “Temos buscado o aprimoramento e fortalecimento da nossa instituição e vamos caminhar junto com o nosso procurador-geral em favor dos avanços necessários ao Ministério Público e à sociedade”, afirmou.

Danilo de Castro parabenizou a corregedora-geral pela reeleição

O procurador-geral de justiça, Danilo de Castro, parabenizou a corregedora-geral pela recondução ao cargo. “A expressiva votação que a senhora obteve é o reconhecimento do seu trabalho e de sua equipe. Essa eleição revelou o amadurecimento, serenidade e equilíbrio da Corregedoria. Vamos continuar em parceria trabalhando pelo Ministério Público”.

A sessão solene de posse da corregedora-geral para o biênio 2026-2028 está agendada para o próximo dia 1º de julho.

Procuradores e equipe da Corregedoria-Geral acompanharam a divulgação do resultado

A psicologia diz que pessoas que respondem mensagens só depois de terminar uma tarefa não fazem isso por frieza, mas porque protegem o foco e respeitam limites

A psicologia diz que pessoas que respondem mensagens só depois de terminar uma tarefa nem sempre fazem isso por frieza, desinteresse ou falta de educação. Muitas vezes, esse comportamento revela foco, autocontrole e respeito pelos próprios limites. Em uma rotina cheia de notificações, escolher quando responder pode ser uma forma de preservar atenção e saúde mental.

Por que algumas pessoas não respondem mensagens na hora?

Responder mensagens na hora parece sinal de cuidado para muita gente, mas nem sempre é possível ou saudável. Quando alguém está estudando, trabalhando, cozinhando, dirigindo ou resolvendo um problema, interromper tudo para responder pode quebrar a concentração e atrasar a tarefa.

Para algumas pessoas, a mensagem fica guardada como algo que será respondido depois, com calma. Isso não significa ignorar o outro. Significa reconhecer que a atenção não funciona bem quando é dividida em muitos pedaços ao mesmo tempo.

Como a psicologia explica essa proteção do foco?

A psicologia entende o foco como uma capacidade limitada. Cada interrupção exige que o cérebro pare uma linha de raciocínio, entenda a nova demanda e depois tente voltar ao ponto anterior. Esse retorno pode parecer rápido, mas consome energia mental.

Quando a pessoa responde mensagens apenas depois de concluir uma tarefa, ela reduz essa troca constante de atenção. Esse hábito pode ser especialmente útil em atividades que exigem memória, criatividade, cálculo, escrita, planejamento ou tomada de decisão.

Esse comportamento costuma aparecer em situações como:

  • Terminar um relatório antes de abrir conversas no celular;
  • Estudar por blocos sem checar notificações a todo momento;
  • Responder mensagens depois de uma reunião importante;
  • Evitar conversas paralelas enquanto resolve uma demanda difícil;
  • Separar horários específicos para olhar aplicativos de mensagem.
A psicologia diz que pessoas que respondem mensagens só depois de terminar uma tarefa não fazem isso por frieza, mas porque protegem o foco e respeitam limitesA psicologia diz que pessoas que respondem mensagens só depois de terminar uma tarefa não fazem isso por frieza, mas porque protegem o foco e respeitam limites
Nem toda demora significa frieza ou desinteresse

Responder depois é frieza ou limite emocional?

Responder depois pode ser limite emocional quando a pessoa faz isso com clareza e constância, sem intenção de punir ou manipular. Ela apenas não coloca toda notificação acima do que está fazendo. Esse tipo de limite ajuda a evitar ansiedade, pressa e sensação de disponibilidade permanente.

A frieza aparece em outro contexto, quando alguém usa o silêncio para desprezar, controlar ou gerar insegurança. Já o limite saudável costuma vir acompanhado de respeito. A pessoa responde quando pode, mantém cuidado na conversa e não transforma demora em jogo emocional.

Por que as notificações atrapalham tanto a concentração?

As notificações criam pequenas quebras no pensamento. Mesmo quando a pessoa não responde, o som, a vibração ou o número na tela já podem desviar a mente. O cérebro começa a imaginar quem chamou, qual é o assunto e se existe alguma urgência escondida ali.

Com o tempo, essa vigilância constante pode deixar a rotina mais cansativa. A pessoa sente que nunca termina nada por inteiro, porque sempre existe uma mensagem esperando resposta. Proteger o foco, nesse caso, também é proteger a sensação de começo, meio e fim nas próprias tarefas.

Alguns sinais mostram que as mensagens estão dominando demais a atenção:

  • Checar o celular mesmo sem notificação nova;
  • Sentir culpa por não responder imediatamente;
  • Perder o raciocínio depois de abrir uma conversa rápida;
  • Ficar ansioso quando demora para visualizar mensagens;
  • Interromper descanso, estudo ou trabalho por medo de parecer distante.
A psicologia diz que pessoas que respondem mensagens só depois de terminar uma tarefa não fazem isso por frieza, mas porque protegem o foco e respeitam limitesA psicologia diz que pessoas que respondem mensagens só depois de terminar uma tarefa não fazem isso por frieza, mas porque protegem o foco e respeitam limites
Responder mensagens depois pode ser sinal de foco e autocontrole

Como comunicar esse limite sem parecer grosseiro?

O limite fica mais fácil de entender quando é comunicado de forma simples. A pessoa pode dizer que costuma responder depois do trabalho, que deixa o celular longe enquanto estuda ou que prefere terminar uma tarefa antes de conversar. Essa explicação evita mal-entendidos.

Também ajuda a diferenciar urgência de conversa comum. Nem toda mensagem precisa de resposta imediata, mas assuntos realmente importantes podem ter outro canal, como ligação. Essa combinação protege o foco sem abandonar vínculos afetivos, familiares ou profissionais.

Algumas frases podem deixar esse limite mais claro:

  • “Vou terminar isso e já te respondo com calma”;
  • “Quando estou focado, deixo o celular no silencioso”;
  • “Não vi na hora, mas li agora com atenção”;
  • “Se for urgente, pode me ligar”;
  • “Prefiro responder direito do que mandar qualquer coisa correndo”.

O que esse hábito revela sobre maturidade digital?

Responder mensagens depois de terminar uma tarefa pode revelar maturidade digital porque mostra que a pessoa não se deixa comandar por cada alerta da tela. Ela entende que presença não é disponibilidade total. Também percebe que uma resposta mais calma pode ser melhor do que uma reação apressada, distraída ou impaciente.

Em uma rotina marcada por celular sempre por perto, proteger o foco virou uma escolha consciente. Quem respeita esse limite consegue trabalhar melhor, descansar com menos culpa e conversar com mais atenção quando realmente está disponível. A mensagem continua importante, mas não precisa roubar o lugar de tudo o que está acontecendo no momento.

A inteligência artificial como aliada da educação

Luísa Canziani, deputada federal (União Brasil - PR), presidente da Comissão Especial sobre IA e integrante da Frente Parlamentar Mista da Educação. -  (crédito:  Edvaldo Belitardo)

Luísa Canziani, deputada federal (União Brasil – PR), presidente da Comissão Especial sobre IA e integrante da Frente Parlamentar Mista da Educação. – (crédito: Edvaldo Belitardo)

Por Luísa Canziani*

A inteligência artificial já é uma realidade no Brasil. A tecnologia se tornou uma força concreta que molda economias, redefine relações de trabalho e desafia estruturas institucionais em todo o mundo. E esse movimento exige mais do que entusiasmo tecnológico: requer responsabilidade pública, visão estratégica e compromisso com um desenvolvimento que seja, ao mesmo tempo, inovador e inclusivo.

Um dos pontos mais sensíveis é o uso da IA na educação. Seja no uso de plataformas adaptativas, na automação de tarefas ou no apoio ao aprendizado personalizado, a tecnologia vem transformando a maneira como ensinamos e aprendemos. Diante desse cenário, o Brasil precisa encarar com seriedade o desafio de integrar a IA à educação de forma estratégica, ética e inclusiva.

Como presidente da Comissão Especial sobre Inteligência Artificial (PL 2338/23) da Câmara dos Deputados, tenho acompanhado de perto o avanço dessas ferramentas e seus impactos diretos na formação das novas gerações. Na minha opinião, a educação é, talvez, o campo mais promissor — e também um dos mais sensíveis — para a aplicação da inteligência artificial.

Por um lado, a IA oferece oportunidades concretas para melhorar a qualidade do ensino. E já temos experiências internacionais com resultados concretos. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve aumento significativo na retenção de conteúdo e melhoria no desempenho em matemática e leitura, especialmente em escolas públicas de regiões vulneráveis. Na China, o uso de sistema de aprendizagem personalizada elevou indicadores de desempenhos em disciplinas STEM (integração educacional de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática); na Finlândia, o país tem investido na formação docente para uso pedagógico de IA, com prioridade ao pensamento crítico e ética digital.

Os exemplos mundo afora são inúmeros e bons métodos podem – e devem – ser adaptados à realidade brasileira. Sistemas inteligentes podem identificar dificuldades específicas dos estudantes, sugerir trilhas de aprendizagem personalizadas e apoiar professores na elaboração de conteúdos mais eficazes. Em um país com profundas desigualdades educacionais, essas soluções têm potencial para reduzir lacunas históricas e ampliar o acesso ao conhecimento.

Por outro lado, é preciso cautela. A introdução acelerada dessas tecnologias, sem diretrizes claras, pode aprofundar desigualdades, especialmente entre redes de ensino com diferentes níveis de infraestrutura. Além disso, surgem preocupações legítimas sobre privacidade de dados, uso ético das informações e o papel do professor em um ambiente cada vez mais mediado por algoritmos.

E quero reforçar que não se trata de substituir educadores, mas de fortalecê-los. A inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de apoio, capaz de liberar tempo para que professores se dediquem ao que nenhuma tecnologia pode replicar: o vínculo humano, o estímulo ao pensamento crítico e a formação cidadã.

Nesse contexto, o papel do poder público é decisivo. Precisamos de políticas que incentivem a adoção responsável da IA nas escolas, com investimento em infraestrutura digital, capacitação de professores e desenvolvimento de soluções alinhadas à realidade brasileira. Ao mesmo tempo, é fundamental estabelecer parâmetros regulatórios que garantam transparência, segurança e respeito aos direitos dos estudantes.

Outro ponto central é a formação dos próprios alunos para esse novo mundo. Mais do que usuários de tecnologia, precisamos formar cidadãos capazes de compreender, questionar e utilizar a inteligência artificial de maneira crítica e consciente. Isso passa pela inclusão de competências digitais nos currículos e pelo fortalecimento do pensamento científico.

O Brasil tem a oportunidade de construir um modelo de uso da inteligência artificial na educação que seja referência internacional: inovador, mas comprometido com a equidade; tecnológico, mas profundamente humano. Esse equilíbrio é o que deve orientar nossas decisões.

Ao longo dos debates na Comissão Especial, ouvimos educadores, especialistas, empresas e sociedade civil para construir caminhos que façam sentido para todo o país. A educação sempre foi o principal instrumento de transformação social — e, com o apoio da inteligência artificial, pode se tornar ainda mais potente.

Mas essa transformação não acontecerá de forma automática. Ela exige planejamento, responsabilidade e, acima de tudo, compromisso com o futuro das nossas crianças e jovens. É esse futuro que está em jogo — e é por ele que precisamos agir agora.

*Luísa Canziani, deputada federal (União Brasil – PR), presidente da Comissão Especial sobre IA e integrante da Frente Parlamentar Mista da Educação.

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