Nova ligação rodoviária vai encurtar trajeto entre Viana e Pedro do Rosário

Brandão destacou que a ideia da obra surgiu graças ao diálogo com os municípios (Foto: Divulgação)

Uma antiga reivindicação dos moradores da Baixada Maranhense começou a avançar nesta terça-feira (4). A ordem de serviço para a pavimentação de 38 quilômetros da MA-217 foi assinada durante uma cerimônia realizada na zona rural, entre Viana e Pedro do Rosário.

A futura ligação rodoviária partirá do entroncamento da MA-006, passará pelo povoado Santeiro e chegará até a MA-216. O investimento previsto é de R$ 105,7 milhões.

A pavimentação deverá reduzir distâncias, melhorar o transporte de passageiros e facilitar o escoamento da produção regional. A estrada também será utilizada por moradores que precisam chegar a escolas, unidades de saúde e outros serviços públicos.

Após a assinatura, o governador Carlos Brandão classificou o momento como a realização de um grande sonho da população. “Essa estrada esperada há mais de 100 anos, hoje, está tendo início. É o começo de um sonho que vai ser realizado, porque eu estou cuidando da Baixada”, afirmou.

Brandão também destacou que a ideia da obra surgiu graças ao diálogo com os municípios. “Quando assumi o governo, comecei a conversar com as pessoas sobre qual era a melhor obra para cada município. Recebi todos os prefeitos e prefeitas do Maranhão. O nosso objetivo é deixar a Baixada cada vez mais preparada para crescer e se desenvolver”, declarou.

Comunidades aguardavam obra há décadas

Moradores e trabalhadores da região acompanharam a assinatura da ordem de serviço. O pescador Sérgio Trindade, de 57 anos, contou que esperou durante toda a vida pela melhoria da estrada.

“Já entrou governador, já entrou prefeito, e essa estrada nunca saía. Agora, vendo esse começo, é uma oportunidade muito grande para todos nós”, afirmou.

Sérgio trabalha com a venda de peixes e acredita que a pavimentação diminuirá as dificuldades enfrentadas no transporte da produção. Segundo ele, o benefício também alcançará quem circula diariamente entre Pedro do Rosário e as comunidades próximas.

Rodovia deve facilitar acesso a atendimentos

A precariedade do trecho afeta não apenas a circulação de veículos, mas também o atendimento de situações emergenciais. O prefeito de Pedro do Rosário, Toca Serra, relatou que moradores já precisaram ser transportados em redes devido às condições da estrada.

“É também para quem transporta passageiros, para quem precisa chegar a um atendimento, para quem vive aqui. Quantas pessoas já saíram sendo levadas em rede por falta de estrada?”, declarou.

Para o prefeito de Viana, Carrinho Cidreira, a MA-217 também poderá funcionar como um corredor de integração entre diferentes rodovias da região.

Segundo o gestor, a ligação deve reduzir percursos e beneficiar veículos que circulam entre municípios do Maranhão e rotas em direção ao Pará e a outros estados do Nordeste.

Investimento de R$ 105,7 milhões

A ordem de serviço foi assinada pelo governador Carlos Brandão. Durante o ato, ele afirmou que a estrada é reivindicada há mais de um século e que a escolha da obra ocorreu após conversas com representantes dos municípios da Baixada.

Além de favorecer a mobilidade, a expectativa é que a rodovia estimule atividades como pesca, agricultura, pecuária e comércio, ampliando as possibilidades de geração de renda nas comunidades atendidas.

Brandão inicia pavimentação da MA-217 (Viana a Pedro do Rosário)

A espera pela estrada atravessou gerações de moradores da Baixada Maranhense até começar a sair do papel. Em agenda na zona rural, entre os municípios de Pedro do Rosário e Viana, o governador Carlos Brandão atendeu à antiga reivindicação e assinou a ordem de serviço para a pavimentação da MA-217. A obra de 38 quilômetros ligará o entroncamento da MA-006 ao da MA-216, passando pelo povoado Santeiro.

Após a assinatura, o governador Carlos Brandão classificou o momento como a realização de um grande sonho da população. “Essa estrada esperada há mais de 100 anos, hoje, está tendo início. É o começo de um sonho que vai ser realizado, porque eu estou cuidando da Baixada”, afirmou.

Brandão também destacou que a ideia da obra surgiu graças ao diálogo com os municípios. “Quando assumi o governo, comecei a conversar com as pessoas sobre qual era a melhor obra para cada município. Recebi todos os prefeitos e prefeitas do Maranhão. O nosso objetivo é deixar a Baixada cada vez mais preparada para crescer e se desenvolver”, declarou.

Com investimento de R$ 105,7 milhões, a intervenção deve encurtar caminhos, diminuir o tempo de deslocamento, facilitar o transporte tanto de passageiros quanto de mercadorias e, ainda, melhorar o acesso da população aos serviços públicos essenciais.

Moradores, lideranças políticas e trabalhadores, que conviviam diariamente com as dificuldades da falta de infraestrutura, participaram da cerimônia. Entre eles estava o pescador Sérgio Trindade, de 57 anos, que esperou pela obra a vida toda.

“Eu tenho 57 anos e era o que eu mais esperava acontecer. Já entrou governador, já entrou prefeito e essa estrada nunca saía. Agora, vendo esse começo, é uma oportunidade muito grande para todos nós. Eu trabalho com venda de peixe. Para mim vai ser muito bom, porque melhora o transporte e o acesso. Não é só para nós, aqui, mas também para quem vem de Pedro do Rosário e precisa usar essa estrada todos os dias”, relatou.

Durante a solenidade o prefeito de Pedro do Rosário, Toca Serra, destacou os reflexos positivos da obra que vai conectar cidades, serviços e famílias.

“Eu sei o tamanho da dificuldade dessa estrada. A importância dela não é só para quem passa de carro. É também para quem transporta passageiros, para quem precisa chegar a um atendimento, para quem vive aqui. Quantas pessoas já saíram sendo levadas em rede por falta de estrada? Agora, vamos ter dignidade”, declarou.

O prefeito de Viana, Carrinho Cidreira, ressaltou a relevância econômica do corredor rodoviário para a integração regional e interestadual.

“Há um século o povo dessa região reivindica essa estrada. Ela vai ligar importantes eixos rodoviários, reduzir percursos e facilitar o deslocamento de veículos que circulam entre estados do Nordeste, o Pará e o Maranhão. É uma obra que tem grande importância econômica e vai contribuir para o desenvolvimento e para a geração de renda”, disse.

Além da assinatura da ordem de serviço da MA-217, an agenda do governador em Viana incluiu visita ao Centro de Hemodiálise do município.

Suspeita de desvio no Fundeb faz MPF lançar operação de fiscalização em todo o país

  • O Ministério Público Federal (MPF) iniciou uma fiscalização nacional para apurar a possível destinação irregular de quase 735 milhões de reais do Fundeb, entre 2021 e 2025. A suspeita é de que os valores não cumpriram os percentuais mínimos obrigatórios para educação infantil e melhoria da rede de ensino.
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    Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

O Ministério Público Federal (MPF) deu início a uma fiscalização nacional para investigar a possível destinação irregular de quase 735 milhões de reais em recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

A suspeita central das autoridades é que os expressivos valores repassados pela União a diversos municípios brasileiros, no período compreendido entre 2021 e 2025, não cumpriram os percentuais constitucionais mínimos obrigatórios para investimentos na educação infantil e na melhoria estrutural da rede de ensino.

De acordo com as regras estabelecidas pela Constituição Federal, ao menos 50% da complementação do valor anual total por aluno (VAAT) deve ser obrigatoriamente revertida à educação infantil. Além disso, a legislação determina que 15% dessa quantia seja destinada a despesas de capital, tais como reformas de infraestrutura e aquisição de equipamentos pedagógicos e operacionais.

Entretanto, dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), extraídos em março de 2026, apontam que as metas não foram atingidas por gestores de diversas regiões brasileiras. O cenário sugere que as verbas foram desviadas de suas finalidades originais ou geridas de forma indevida, prejudicando diretamente o atendimento em creches e pré-escolas públicas pelo país.

Diante do quadro, o MPF vai atuar em duas frentes: punir eventuais desvios financeiros e, ao mesmo tempo, assegurar a recomposição integral do rombo nos cofres públicos. A estratégia foi destacada pela coordenadora do Comitê Interinstitucional de Financiamento da Educação, Niedja Kaspary. “Nosso principal objetivo é assegurar que os recursos sejam aplicados na expansão, manutenção, qualificação e estruturação da educação básica”, pontuou a procuradora.

Para garantir a efetividade da medida, os procuradores deverão trabalhar para celebrar Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com as prefeituras. Nos casos em que houver resistência ou omissão por parte dos administradores municipais na reparação dos gastos, o órgão vai entrar com ações na Justiça. A iniciativa reflete o compromisso do Ministério Público Federal em corrigir os descompassos orçamentários da educação brasileira.

Governo do Estado assina ordem de serviço para pavimentação da MA-217 entre Pedro do Rosário e Viana

Serão 38 quilômetros de extensão, ligando os dois municípios.

Nesta terça-feira (4), os municípios de Pedro do Rosário e Viana, na Baixada Maranhense, recebem a comitiva do Governo do Estado do Maranhão para anúncio de mais uma obra de infraestrutura na região. O principal compromisso será a assinatura da Ordem de Serviço para pavimentar a MA-217.

De acordo com Secretaria de Estado da Infraestrutura (Sinfra), a intervenção contempla o trecho entre o entroncamento da MA-006, em Pedro do Rosário, e o entroncamento da MA-216, em Viana, passando pelo povoado Santeiro. Avaliada em R$ 105,7 milhões, a estrada terá 38 quilômetros de extensão.

Para a população local, a expectativa é melhorar a mobilidade, facilitar o escoamento da produção e o acesso aos serviços essenciais.

Além do asfaltamento da rodovia, a agenda também inclui visita ao Centro de Hemodiálise de Viana, equipamento da rede de assistência à saúde que atende pessoas em tratamento de insuficiência renal.

SERVIÇO

O quê: assinatura da ordem de serviço para pavimentação da MA-217.
Quando: nesta terça-feira (4), às 8h.
Onde: campo de futebol, após o povoado Santeiro, sentido povoado Baias, zona rural entre Pedro do Rosário e Viana.

Auditoria do TCU diz que parcelas de 41 emendas Pix sumiram em contas de prefeituras

A auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) que identificou “falhas sistêmicas” na liberação de emendas Pix, revelada há duas semanas, também apontou omissões graves sobre o destino de recursos que deveriam financiar obras como pavimentação de ruas, construção de calçadas e praças, além de ações sociais.

Em uma amostra de 100 repasses dessa modalidade, em 41 casos não há controle sobre a movimentação dos recursos que irrigaram o caixa de estados e municípios.

Segundo o órgão, parte do dinheiro correspondente a essas emendas foi movimentado em contas bancárias sem relação com o objeto financiado, em desacordo com regras de transparência estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O Globo analisou as emendas apontadas pelo TCU com falhas no rastreamento e identificou que elas foram indicadas por 37 deputados e senadores. Ao todo, esses recursos somam R$ 534,4 milhões — e não é possível saber o que foi feito com parte desse montante.

Para o TCU, a movimentação dos recursos em contas diferentes das previstas para esse tipo de transferência compromete a fiscalização.

“A movimentação de recursos em conta-corrente não específica é um problema relevante, pois dificulta a rastreabilidade e o controle financeiro da aplicação dos recursos”, afirmam os técnicos do órgão de controle.

Segundo a auditoria, a precariedade no rastreamento é comum em duas situações. Na primeira, a conta específica aberta para receber a emenda funciona apenas como uma “conta de passagem”: o dinheiro é rapidamente transferido para outra conta da prefeitura ou do governo estadual, onde se mistura a recursos de outras origens.

Em outros casos, os valores nem sequer passam por essa conta e são depositados diretamente em contas utilizadas para outras movimentações financeiras dos governos municipais e estaduais.

Um dos casos envolve uma emenda de R$ 33,5 milhões, indicada pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR), pai do ministro do TCU Jhonatan de Jesus, e distribuída entre diferentes municípios de Roraima.

A auditoria fiscalizou parcela de R$ 5 milhões destinada a Rorainópolis (RR) e identificou uma série de irregularidades. Segundo os auditores, não foi possível rastrear parte do dinheiro porque o valor milionário foi movimentado por contas bancárias diferentes da conta específica exigida.

Segundo o plano de trabalho da emenda cadastrado em site do governo federal, o dinheiro foi destinado para bancar a limpeza de igarapés, recuperação de pontes, manutenção de prédios públicos e até mesmo para o fornecimento de combustível e lubrificantes à gestão local.

Além da perda de rastreabilidade, porém, a fiscalização encontrou indícios de irregularidades nas licitações e na execução da obra financiada. Os achados levaram o TCU a determinar o aprofundamento das apurações e a adoção de providências para responsabilização dos envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas.

Procurados, o senador e a prefeitura não se manifestaram.

Outro caso envolve uma emenda de R$ 14,9 milhões, indicada pelo deputado federal Elmar Nascimento (União-BA). A auditoria fiscalizou R$ 9,1 milhões destinados ao município de Campo Formoso (BA), administrado por seu irmão, o prefeito Elmo Nascimento. O TCU concluiu que parte dos recursos apresentou falhas na rastreabilidade, mas os técnicos conseguiram refazer o caminho do dinheiro a partir de outros “elementos examinados”. A análise serviu para identificar outras irregularidades.

Para a cidade de 71 mil habitantes, a emenda foi indicada para a pavimentação e drenagem de vias públicas, além da conservação de infraestrutura urbana.

Ao analisar os dados, o TCU apontou ausência de relatórios de gestão, contração de pessoas físicas para a execução de serviços e “sobrepreço contratual”, ou seja, obras inicialmente orçadas com valor acima do praticado no mercado.

Os achados levaram o TCU a determinar o aprofundamento das apurações e a adoção de providências para responsabilização dos envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas.

“No caso específico de Campo Formoso (BA), além da ciência quanto à perda de rastreabilidade, propõe-se autuar processo apartado de representação para apurar os pagamentos a pessoas físicas pendentes de esclarecimento”, afirma a auditoria.

Procurado, Elmar defendeu a atuação do TCU e disse que “eles tão fazendo o trabalho deles”. Sobre a transferência de parte dos recursos para contas de pessoas físicas, o parlamentar afirmou que essas pessoas eram MEIs que alugaram veículos para o município e não tinham conta-corrente vinculada a CNPJ s.

A prefeitura de Campo Formoso, por sua vez, também diz “reconhecer a importância e a legitimidade da atuação dos órgãos de controle e na fiscalização da aplicação dos recursos públicos”, mas negou, ao contrário do que diz o TCU, que houve perda de rastreabilidade da emenda.

Por meio de nota, a prefeitura disse que “estão sendo adotadas medidas administrativas destinadas ao aperfeiçoamento dos procedimentos internos de movimentação de recursos, pesquisa de preços, instrução dos processos licitatórios, organização documental e prestação de informações no Transferegov.”

Outro caso envolve uma emenda de R$ 17,4 milhões, indicada pelo deputado federal Eduardo Velloso (União-AC), ao município de Cruzeiro do Sul (AC) para atendimento a autistas e projetos da sociedade civil. A auditoria do TCU concluiu que parte dos recursos perdeu a rastreabilidade a partir do uso de uma “conta de passagem”, mas também aponta indícios de fraude à licitação, contratação de empresa declarada inidônea, restrição à competitividade do certame, publicidade inadequada da contratação, sobrepreço contratual e indícios de inexecução total ou parcial do objeto.

Diante da gravidade dos achados, o TCU determinou a abertura de uma Tomada de Contas Especial (TCE), por entender que as irregularidades estavam suficientemente demonstradas e que o prejuízo ao erário havia sido quantificado.

A assessoria de Velloso diz que o parlamentar “tem conhecimento do relatório e acompanha com respeito e confiança o trabalho desenvolvido pelo Tribunal de Contas da União”.  O parlamentar destaca, ainda, que o valor auditado fui uma parcela de R$ 1 milhão enviado ao município de Cruzeiro do Sul, mas alega que, quanto aos apontamentos do relatório, “a atuação do parlamentar restringe-se à indicação da destinação orçamentária da emenda, não lhe cabendo ingerência sobre os atos administrativos praticados pelo gestor responsável pela execução.”

O caso amplia a lista de investigações envolvendo recursos indicados por Eduardo Velloso.

Em janeiro, O GLOBO revelou que uma emenda de autoria do deputado, originalmente destinada à realização de eventos culturais em Sena Madureira (AC), acabou beneficiando um hospital pertencente a seu pai, após a prefeitura redirecionar parte dos recursos à unidade de saúde.

Uma auditoria da CGU apontou que o hospital passou a receber recursos públicos para cirurgias cobradas muito acima dos parâmetros oficiais.

Na mesma época, o parlamentar também foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura supostas irregularidades na contratação de uma empresa de shows com recursos de emendas Pix em Sena Madureira.

À época, Velloso afirmou, por meio de sua assessoria, que o direcionamento dos recursos ao hospital era de responsabilidade exclusiva da prefeitura e negou qualquer ingerência sobre a execução da emenda.

Os três casos ilustram apenas parte das irregularidades identificadas pelo TCU. Ao todo, a auditoria encontrou problemas de rastreabilidade em 41 emendas parlamentares distribuídas entre deputados e senadores de diferentes partidos e estados.

As falhas de controle entraram no foco do STF desde o ano passado e tem provocado reação no Congresso, onde parlamentares veem na ofensiva uma tentativa de reduzir a influência do Legislativo sobre o Orçamento da União.

‘Juiz que tem posicionamento político está na profissão errada’, diz novo presidente do STJ

O novo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, que assume a presidência da Corte no dia 19 de agosto, defendeu nesta sexta-feira, 31, que juízes não tenham posicionamento político em público e que, para ingressar na vida política, obdeçam a uma quarentena depois de deixar a carreira pública. Há dezoito anos no STJ, ele também ocupou a cadeira de corregedor nacional de Justiça, no CNJ, quando proferiu uma série de decisões punindo quem tomou partido nas eleições de 2022. Ele abriu também uma investigação sobre a gestão do dinheiro arrecadado pela operação Lava Jato.

“Juiz que tem posicionamento político está na profissão errada”, disse durante uma sabatina no congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Para as eleições presidenciais deste ano, Salomão disse que oa ssunnto está “controlado” e que as balizas fixadas pelo CNJ já são um “caminho sem volta”. Ele também destacou que, por conta das redes sociais, que deixam registro do que é dito e feito, a fiscalização fica mais fácil.

Ele defendeu que exista uma quarentena para membros do Judiciário e do Ministério Público que queiram sair candidatos a algum cargo político, mencionando, sem citar nomes, quem “pendura a toga em um dia e, no outro, sai candidato”.

Durante a sua passagem pela corregedoria, Salomão abriu uma investigação para apurar a destinação de recursos arrecadados no curso da operação Lava Jato, chefiada pelo ex-juiz Sergio Moro e pelo ex-procurador de Justiça Deltan Dallagnol. Os dois deixaram as carreiras públicas e migraram para a vida política em 2022. A pendência de processos disciplinares e representações nos órgãos de controle das carreiras motivou uma discussão sobre as regras para que um juiz ou promotor possa migrar para a política institucional.

Além dos dois casos no Paraná, há o do juiz federal Marcelo Bretas, que chefiou o braço fluminense da Lava Jato. Ele foi aposentado compulsoriamente pelo CNJ em junho de 2025.

Pix passa a valer em 8 países e vira alternativa mais barata que cartão para turistas

Turistas brasileiros já conseguem pagar com Pix diretamente no comércio de oito países, na América do Sul, América do Norte e Europa. A funcionalidade opera dentro dos próprios aplicativos dos bancos brasileiros, viabilizada por parcerias entre fintechs nacionais, instituições financeiras e credenciadoras internacionais de maquininhas.

Hoje, o recurso está disponível em estabelecimentos do Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França. O Banco Central faz uma ressalva importante: não existe um “Pix internacional” oficial mantido pelo governo brasileiro fora do país. As transações acontecem por meio de empresas de câmbio credenciadas, chamadas de eFX, responsáveis por converter os valores em tempo real.

O processo nos pontos de venda no exterior segue uma lógica parecida com a usada no Brasil. A maquininha do estabelecimento gera um QR Code na tela, que o turista escaneia pelo aplicativo do próprio banco. Em seguida, o app mostra o valor final já convertido em reais, com as taxas incluídas. A confirmação é feita por senha ou biometria, e a empresa intermediária cuida da conversão da moeda, repassando o pagamento ao comerciante na moeda local, seja em pesos, dólares ou euros.

Pix internacional tem custo mais baixo em comparação com o cartão de crédito, por isso ele é atrativo para turistas (Foto: Reprodução)

Por que vale a pena: a economia no imposto

O principal atrativo do Pix internacional está no custo mais baixo em comparação ao cartão de crédito. Compras internacionais no cartão são taxadas com 5,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), além da cotação do chamado dólar turismo. Já os pagamentos feitos pelo aplicativo usam taxas de câmbio comercial, mais vantajosas, com impostos reduzidos. A modalidade ainda evita a necessidade de carregar dinheiro em espécie ou recorrer a casas de câmbio no destino.

O uso se concentra em destinos turísticos e redes populares entre brasileiros. Na América do Sul, cobre hotéis, restaurantes, centros de esqui e lojas de fronteira no Chile, Argentina, Uruguai e Paraguai. Nos Estados Unidos e na Europa, funciona em estabelecimentos de cidades como Miami, Orlando, Lisboa, Madri e Paris.

Quem viabiliza o serviço

A expansão do Pix fora do Brasil depende de acordos entre diferentes empresas do setor financeiro. No Chile, a fintech PagBrasil trabalha junto com a credenciadora local VirtualPOS para viabilizar o pagamento por QR Code em milhares de terminais. Na Argentina, o Banco do Brasil fechou parceria com o Banco Patagonia, garantindo a leitura direta em mais de 6 mil estabelecimentos.

No Uruguai, quem oferece o serviço é a Getnet, enquanto nos Estados Unidos a integração ficou a cargo da Verifone, em terminais de cidades norte-americanas. Já a estrutura de liquidação entre fronteiras conta com o apoio de bancos como o BS2 e plataformas de câmbio como a Remessa Online.

Uso em alta, mesmo sem dados oficiais consolidados

O Banco Central não divulga números específicos sobre pagamentos presenciais feitos por Pix no exterior, já que esses valores entram no balanço geral de operações de câmbio e transferências internacionais. Ainda assim, dados do próprio setor mostram forte crescimento: a PagBrasil registra alta média de 22,5% ao mês no volume de transações realizadas fora do país. Segundo o Global Payments Report, os 170 milhões de usuários cadastrados no Pix no Brasil têm levado credenciadoras internacionais a adaptar seus sistemas para atender à demanda do turista brasileiro.

Oposição pode alcançar maioria no Senado

A oposição pode alcançar maioria absoluta no Senado a partir de 2027, segundo projeção feita com base nas pesquisas estaduais mais recentes para a eleição de 2026. Pela conta, direita, centro-direita e aliados do campo oposicionista teriam condições de chegar a 41 das 81 cadeiras da Casa, exatamente o número necessário para controlar a maioria.

O cálculo considera a composição atual do Senado, os senadores que permanecerão no mandato até 2031 e as 54 vagas que estarão em disputa no próximo ano.

Hoje, o governo Lula atua em um Senado fragmentado, mas ainda com vantagem relativa. A base governista e aliados somam 42 senadores, enquanto a oposição reúne 37.

A projeção para 2027 aponta uma inversão desse quadro. Entre os 27 senadores que seguem no cargo até 2031, a oposição tem 17 cadeiras, o governo tem 9 e há 1 senador sem alinhamento claro. Nas 54 vagas em disputa, o levantamento das pesquisas estaduais projeta 24 cadeiras para a oposição, 20 para o governo e 10 indefinidas ou sem leitura segura com base nas pesquisas.

Somadas as duas camadas, a oposição chegaria a 41 senadores, enquanto o campo governista ficaria com 29. Outros 11 ficariam em posição indefinida ou sem alinhamento claro.

A cientista política Mayra Goulart, da UFRJ, afirma que a projeção de composição do Senado “vai depender também da eleição presidencial”.

Para Mayra, trata-se de uma maioria mínima e sem coesão ideológica garantida. “É uma diferença muito pequena, que não sustenta a ideia de um bloco coeso”, avalia.

Ela destaca que senadores têm forte vínculo com dinâmicas estaduais e atuam de forma pragmática, o que dificulta a formação de um bloco disciplinado. Assim, mesmo uma maioria conservadora não significaria necessariamente uma maioria bolsonarista organizada. “O comportamento do Senado é muito mais estadualizado do que ideológico”, afirma.

Mayra também afirma que uma maioria numérica da oposição não implica capacidade automática de ação coordenada em temas complexos, como impeachment, que dependem de articulação política mais ampla. “Ter número não é o mesmo que ter coordenação política”, diz.

Por fim, ela observa que a agenda anti-STF não se restringe à extrema direita e pode atrair setores do Congresso interessados em limitar a atuação da Corte sobre o orçamento. Esse movimento, segundo ela, pode aproximar grupos distintos contra o Supremo e aumentar o risco de isolamento da instituição na defesa do equilíbrio entre os Poderes. “Há uma convergência possível entre diferentes interesses quando o tema é o controle do orçamento pelo Judiciário”, conclui.

Comparação entre o Senado atual e a projeção para 2027

A mudança seria estrutural. O governo sairia de uma posição em que depende de negociação com independentes, mas ainda tem a maior bancada política, para um cenário em que a oposição poderia alcançar maioria absoluta. Já a direita deixaria de ser apenas uma força de pressão para ter condições de comandar a agenda do Senado.

A cientista política Beatriz Rey avalia que ainda é cedo para cravar se esse será o quadro final, mas afirma que, se a projeção se confirmar, um eventual novo governo Lula entraria em 2027 em uma situação ainda mais difícil na relação com o Congresso.

Segundo ela, a dificuldade do governo na relação com o Legislativo já aparecia desde 2022, especialmente pela composição ideológica da Câmara dos Deputados. A diferença, agora, é que o Senado também pode passar a ser controlado pela oposição.

“Se essa projeção se confirmar, a situação muda bastante. O governo vai estar com a oposição conduzindo os trabalhos. Isso o coloca numa situação muito fragilizada”, disse.

Beatriz lembra que a composição ideológica não é o único fator que define a relação entre Executivo e Legislativo, mas pesa diretamente sobre a capacidade do governo de aprovar sua agenda, barrar derrotas e fazer indicações estratégicas. Ela cita como exemplos votações envolvendo Banco Central, CPIs e nomeações para o STF.

“Essa eleição do Senado é uma eleição que a gente tem que estar prestando bastante atenção. Ela é importantíssima, tão importante quanto a eleição presidencial e a eleição da Câmara”, afirmou.

A avaliação reforça o ponto central da projeção: a disputa de 2026 não será apenas sobre quem ocupará as cadeiras do Senado, mas sobre quem terá poder para conduzir a pauta institucional do país a partir de 2027. Se a Câmara continuar difícil e o Senado passar ao controle da oposição, o Executivo ficaria cercado nas duas Casas do Congresso.

Projeção de cadeiras no Senado em 2027

A disputa pelo Senado será uma das batalhas centrais de 2026. A Casa tem poder para sabatinar ministros do STF, aprovar indicações para a Procuradoria-Geral da República, Banco Central, agências reguladoras, embaixadas e tribunais superiores. Também cabe ao Senado processar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo e outras autoridades.

Na prática, uma oposição com 41 cadeiras teria força para aumentar a pressão sobre o Judiciário, dificultar indicações do Executivo, controlar CPIs e impor derrotas ao governo em votações estratégicas.

O quadro ainda não é definitivo. Parte dos nomes testados nas pesquisas é formada por pré-candidaturas, há empates técnicos em vários estados e alianças locais podem mudar até as convenções. Ainda assim, a fotografia atual indica uma oposição mais espalhada nacionalmente e um governo dependente de vitórias concentradas em estados-chave.

Pelas pesquisas levantadas, a oposição aparece melhor posicionada em Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Como cada estado elegerá dois senadores, esses seis estados representam 12 vagas projetadas para o campo oposicionista.

O governo aparece em melhor situação em Bahia, Paraíba, Pernambuco e São Paulo, o que representa 8 vagas projetadas. Nesses estados, o campo governista conseguiu organizar chapas mais competitivas e aparece numericamente à frente nas pesquisas disponíveis.

Há ainda 12 estados em que o cenário indica divisão das vagas ou disputa equilibrada: Amapá, Amazonas, Pará, Alagoas, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Piauí, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraná e Rio Grande do Sul. Nesses casos, a projeção distribui uma cadeira para cada campo, somando 12 vagas para a oposição e 12 para o governo.

Placar das pesquisas estaduais

Os estados abertos são Rondônia, Maranhão, Sergipe Roraima e Espírito Santo. Juntos, eles somam 10 vagas que não foram atribuídas a nenhum campo por falta de domínio claro nas pesquisas.

O melhor cenário para o Planalto aparece na Bahia, onde Rui Costa e Jaques Wagner lideram; na Paraíba, com João Azevêdo e Veneziano; em Pernambuco, com Marília Arraes e Humberto Costa; e em São Paulo, onde Marina Silva e Simone Tebet aparecem numericamente nas primeiras posições.

Mesmo nesses estados, há ressalvas. Em Pernambuco, a segunda vaga ainda não está consolidada. Em São Paulo, a disputa segue competitiva, com nomes da direita próximos do pelotão principal.

A oposição tem vantagem mais clara em Santa Catarina, Mato Grosso, Goiás, Acre, Mato Grosso do Sul e Tocantins. Em Santa Catarina, o campo conservador domina o topo das pesquisas. Em Mato Grosso, Mauro Mendes e Janaina Riva aparecem à frente. Em Goiás, a direita se divide entre o grupo ligado a Ronaldo Caiado e o bolsonarismo mais direto, mas ambos aparecem competitivos.

A faixa decisiva está nos estados em que a disputa pode terminar dividida ou virar com mudanças pequenas no cenário eleitoral. Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraná, Ceará e Rio Grande do Sul estão entre os casos que podem definir se a oposição apenas cresce ou se chega de fato ao controle da maioria do Senado.

A cientista política Karolina Roeder, professora da Uninter, doutora pela UFPR e pesquisadora do INCT ReDem, afirma que projeções feitas em julho precisam ser lidas com cautela, porque o cenário para o Senado ainda está “muito indefinido”.

Segundo ela, há muitos indecisos, candidaturas pouco conhecidas e uma campanha que ainda não começou. “O voto para o Senado costuma ser mais tardio e menos estruturado do que o de presidente ou governador”, avalia.

Karolina lembra que liderança em pesquisa não garante vitória e cita o caso de Roberto Requião, no Paraná, em 2018. Também aponta fatores como alianças locais, chapas estaduais, abstenção e voto incompleto, já que em 2026 cada eleitor terá direito a dois votos para o Senado.

Mesmo com as ressalvas, ela vê um fator estrutural favorável à direita. “O campo conservador é hoje mais amplo do que o campo de esquerda no Brasil, o que se reflete na maior quantidade de candidaturas competitivas da direita”, afirma.

A pesquisadora pondera, porém, que parte do Centrão pode atuar conforme a conjuntura e a negociação com o Executivo. Ainda assim, diz que o quadro não é confortável para Lula: “A composição do Senado em 2027 deve exigir um esforço de articulação maior do que o atual”.

Humanos da Era do Gelo caçavam mais fêmeas de mamute, diz estudo

Uma equipe internacional de pesquisadores, liderados pela Universidade de Estocolmo, na Suécia, descobriu que os humanos da Era do Gelo tinham como alvo seletivo as fêmeas de mamute-lanoso. Os resultados foram obtidos a partir da avaliação do material genético obtidos a partir dos ossos dos animais e publicados, ontem, na revista Current Biology.

Para o trabalho, a equipe analisou dados genômicos de 521 mamutes-lanosos incluindo 448 indivíduos que tiveram material genético sequenciado pela primeira vez. Os restos dos animais recuperados de ambientes naturais dispersos eram predominantemente de machos, 66%.

Segundo os cientistas, esse resultado reforça a ideia de que machos solitários tinham maior probabilidade de morrer em armadilhas naturais como deslizamentos de terra, aumentando, assim, a chance de preservação óssea a longo prazo. Em contraste, os mamutes de sítios onde viviam humanos eram predominantemente fêmeas, 70%, levantando questões sobre como os caçadores-coletores da Era do Gelo interagiam com os mamutes.

“Há décadas se debate se esses enormes acúmulos de ossos de mamute foram formados naturalmente ou pela caça humana”, afirma David Díez del Molino, pesquisador do Centro de Paleogenética da universidade e autor senior do estudo. E prossegue: “Ao comparar as proporções genéticas de sexo de centenas de mamutes de ambientes naturais com as encontradas nesses contextos arqueológicos, podemos agora inferir que a atividade humana foi o principal fator por trás desses acúmulos de ossos”.

Os cientistas afirmam que presumir que os caçadores visavam as fêmeas por serem menores que os machos adultos pode ser um engano, pois se os mamutes se comportavam como os elefantes modernos, as fêmeas que viviam em manadas matriarcais poderiam ter defesas coletivas que tornariam seu abate mais perigoso.

Segundo os autores, outra possibilidade é que as manadas lideradas por fêmeas se deslocassem pela paisagem de maneira mais previsível do que os machos solitários, “o que significa que os caçadores-coletores do Paleolítico Superior poderiam apenas encontrá-las com mais frequência, seja para caçar ou para coletar restos”, afirma Hannah M. Moots, pesquisadora de pós-doutorado e principal autora do estudo.

Os mamutes eram um recurso vital para as populações humanas da Era do Gelo, fornecendo carne, gordura, couro e ossos para a construção de estruturas, além de marfim para ferramentas, arte e ornamentos. Os depósitos de ossos desses animais incluídos no estudo abrangem 11 sítios arqueológicos importantes da Era do Gelo na Eurásia, datando de aproximadamente 30 mil a 20 mil anos atrás.

Rara descoberta genética

Os pesquisadores identificaram ainda um mamute da Ilha Wrangel, na Rússia, que não era XX, biologicamente fêmea, nem XY, biologicamente macho. Em vez disso, esse indivíduo apresentava uma combinação diferente de cromossomos sexuais, conhecida como mosaicismo X0/XX, tendo uma única cópia do cromossomo X em algumas células e duas em outras. Em humanos, essa condição é conhecida como síndrome de Turner. Essa é a primeira vez que o fenômeno é documentado em uma espécie extinta.

STJ decide que sindicatos não podem cobrar diferenças do Fundef e Fundeb por ação civil pública

Decisão em recurso repetitivo define entendimento que deverá ser aplicado em casos semelhantes em todo o país

Ministério da Educação (MEC)
Ministério da Educação (MEC) Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixou a tese de que “o sindicato não tem legítimo interesse para propor ação civil pública buscando a condenação ao pagamento de diferenças de complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef) ou do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb)”. A tese foi fixada em julgamento sob o rito dos recursos repetitivos.

De acordo com a relatora, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, os sindicatos de profissionais da educação têm ajuizado ações civis públicas para exigir que a União complemente os recursos do Fundeb ou do seu antecessor, o Fundef. Ela apontou que o objetivo das entidades é que os valores correspondentes à manutenção e ao desenvolvimento do ensino na educação básica sejam repassados aos municípios.

“O interesse das categorias profissionais de trabalhadores da educação no repasse das verbas decorre da destinação de parte dos recursos como remuneração. A legislação prevê uma subvinculação dos recursos à remuneração desses profissionais”.

O Fundef foi criado no âmbito de cada estado e no Distrito Federal e tem por receita uma fração dos tributos desses entes e da arrecadação destinada a eles, com possibilidade de complementação com recursos da União. A relatora lembrou que, após modificações constitucionais, o fundo foi renomeado como Fundeb, tendo a legislação ordinária regulamentado suas disposições e previsto que pelo menos 60% dos recursos sejam destinados ao pagamento dos profissionais do magistério.

Na avaliação da ministra, os sindicatos alegam que são legitimados para agir no interesse da categoria profissional e, como associações civis, poderiam ajuizar ação civil pública para defender o interesse difuso na educação e no patrimônio municipal.

Via adequada

Para Maria Thereza de Assis Moura, os sindicatos são legitimados para agir no interesse da categoria profissional respectiva. Em razão da subvinculação dos recursos transferidos à remuneração, ela reconheceu que há interesse direto dos profissionais beneficiados de pleitear a transferência dos valores ou a sua complementação.

No entanto, de acordo com a relatora, a ação civil pública não é a via adequada para discutir a destinação do Fundef ou do Fundeb. “O direito em questão é do município. É do ente municipal a pretensão a receber os recursos desses fundos, bem como eventual complementação da União”, pontuou.

Na avaliação da ministra, apenas o município prejudicado é legitimado para pleitear o interesse em juízo, na forma do artigo 18 do Código de Processo Civil (CPC). Ela considerou que os entes municipais dispõem de estrutura para interpretar as normas cabíveis e para agir, caso entendam necessário. “O uso da ação civil pública, nesse caso, ampliaria sobremaneira o debate e poderia desequilibrar o relacionamento entre os entes”, acrescentou.

Por fim, a relatora advertiu que admitir esse tipo de ação poderia estimular disputas em favor de interpretações que beneficiassem determinados municípios, aumentando os conflitos relacionados à divisão das verbas da educação.

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