A sonolência depois do almoço nem sempre é preguiça, mas pode estar ligada a refeições ricas em carboidratos refinados

Sonolência depois do almoço é uma queixa comum, sobretudo quando a refeição concentra pão branco, arroz branco, massas, sobremesas e bebidas açucaradas. Nem sempre isso indica preguiça ou falta de disposição. Em muitos casos, a combinação entre digestão, resposta glicêmica e oscilações na energia ajuda a explicar por que o corpo parece desacelerar no meio da tarde.

Por que bate sono depois do almoço?

Após comer, o organismo direciona parte do fluxo sanguíneo e do trabalho metabólico para a digestão. Quando o almoço é grande, pobre em fibras e rico em carboidratos refinados, a glicose tende a subir mais rápido. Isso pode ser seguido por uma queda mais acentuada algumas horas depois, com sensação de cansaço, fome precoce e menor alerta.

Esse efeito costuma ser mais perceptível em refeições com baixa presença de proteína, verduras, legumes e gorduras de boa qualidade. Também pesa o horário, a noite mal dormida, o sedentarismo e o intervalo muito longo sem comer antes do almoço.

O que a pesquisa mostra sobre glicose e queda de energia?

Pesquisa publicada em 2021 acompanhou adultos saudáveis em rotina real e observou que quedas de glicose entre 2 e 3 horas após a refeição se associaram a mais fome e a menor estado de alerta no mesmo período. Na prática, isso reforça a ideia de que oscilações glicêmicas tardias podem participar daquela sensação de “pane” depois de comer, especialmente após refeições com alta carga glicêmica. O achado pode ser lido no estudo sobre queda de glicose ligada a menor alerta.

Isso não significa que todo carboidrato cause sono. O ponto central está na velocidade de absorção e no contexto do prato. Quantidade, fibras, proteína e nível de processamento mudam bastante a resposta do organismo ao almoço.

Fibras, proteína, carboidrato menos refinado e hábitos reduzem a moleza da tarde.Fibras, proteína, carboidrato menos refinado e hábitos reduzem a moleza da tarde.
Fibras, proteína, carboidrato menos refinado e hábitos reduzem a moleza da tarde.

Quais alimentos do almoço costumam piorar a sonolência?

Algumas combinações favorecem pico e queda de glicemia com mais facilidade. Em geral, isso acontece quando o prato reúne muito amido refinado, pouca fibra e baixo teor de proteína.

  • arroz branco em grande volume sem feijão ou salada suficiente
  • massas com molho e pão, sem fonte proteica adequada
  • salgados, pizza, tortas e lanches com farinha branca
  • sobremesa logo após a refeição
  • refrigerante, suco adoçado ou chá açucarado junto ao almoço

Se a dúvida é entender melhor a diferença entre absorção rápida e lenta, vale consultar os tipos de carboidratos e como eles participam do metabolismo, da saciedade e da energia ao longo do dia.

Como montar um prato que sustente melhor a energia?

Um almoço mais estável costuma combinar carboidrato menos processado, proteína e fibras. Essa composição retarda o esvaziamento gástrico, reduz picos glicêmicos e prolonga a saciedade, o que tende a preservar melhor a disposição nas horas seguintes.

  • metade do prato com verduras e legumes
  • uma porção de feijão, lentilha ou grão-de-bico
  • proteína como ovos, frango, peixe, carne ou tofu
  • carboidratos como arroz integral, batata, mandioca ou quinoa em porção moderada
  • água no lugar de bebidas açucaradas

Outra investigação, publicada em 2024, sugeriu que a qualidade da dieta pode influenciar a sonolência pós-prandial, reforçando a importância de padrões alimentares menos refinados e mais integrais para reduzir a sonolência após as refeições.

Quando o sono após comer merece atenção?

Nem toda sonolência depois do almoço vem apenas do prato. Se o cansaço é intenso, diário ou vem com tontura, tremor, palpitação, dificuldade de concentração ou fome exagerada, vale investigar a rotina alimentar e possíveis alterações glicêmicas. Pessoas com resistência à insulina, diabetes, apneia do sono e noites mal dormidas podem perceber esse efeito com mais frequência.

Observar o padrão ajuda. Anote por alguns dias o horário do almoço, o que foi consumido, a quantidade, a qualidade do sono na noite anterior e como ficou a energia 1, 2 e 3 horas depois. Esse registro costuma mostrar se a sonolência aparece mais com refeições muito volumosas, doces ou baseadas em farinha branca.

O que fazer na prática para evitar a moleza da tarde?

Pequenos ajustes no almoço e na rotina costumam reduzir a sonolência e melhorar o rendimento mental. O objetivo não é cortar carboidrato, e sim escolher melhor a fonte, a porção e a composição do prato.

  • evitar grandes volumes de massa, pão branco e sobremesa na mesma refeição
  • incluir proteína e fibras em todos os almoços
  • mastigar devagar para perceber saciedade
  • fazer uma breve caminhada após comer, quando possível
  • manter regularidade nas refeições ao longo do dia

Quando o almoço oferece melhor equilíbrio entre glicose, saciedade e digestão, a tendência é ter mais estabilidade de atenção, menos fome rebote e uma sensação mais constante de energia durante a tarde. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o acompanhamento de um profissional de saúde. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas sobre sua condição, procure orientação médica.

Borges e o centenário de O Imparcial

Como é do conhecimento público, comemora-se, neste ano, o centenário do jornal O Imparcial, respeitável órgão da imprensa que serve à comunidade maranhense desde 1926. Vale esclarecer que esse jornal pertence à rede dos Diários Associados, que foi criada pelo icônico jornalista Assis Chateaubriand.

Ninguém pode arvorar-se em conhecedor da história contemporânea de São Luís e do Maranhão sem debruçar-se nas edições de O Imparcial, a partir de 1926. Pelo noticiário e pelas crônicas ali publicadas, encontra-se toda a dinâmica da vida social, econômica, cultural e política do Maranhão.

Tenho a satisfação de contribuir, de vez em quando, com uma crônica para suas edições. A primeira vez que publiquei em O Imparcial foi em maio de 1999, em comemoração do sesquicentenário de nascimento de Celso Magalhães. Leitor assíduo de suas edições, em apresentação física, mantenho a tradição de ser um dos seus assinantes, desfrutando de sua leitura após o café da manhã.

Pelas minhas informações, apenas dois jornais maranhenses tiveram esse privilégio de comemorar 100 anos de existência, em circulação: O Imparcial e Cidade de Pinheiro.

O alcance dessa vida centenária tem sido marcado nos últimos anos, pelo enfrentamento de grandes dificuldades financeiras, provocadas, principalmente, pela competição com as redes sociais, que reduziram a impressão física dos jornais e, consequentemente, as vendas e os anúncios, além do desconhecimento, pelas novas gerações, da importância de um jornal.

Na sequência das comemorações do centenário de O Imparcial, venho destacar a figura do jornalista Raimundo Nonato Borges, que marca sua presença na equipe desse órgão de imprensa há 56 anos.

Nonato Borges afirma-se hoje como um jornalista respeitável pela sua dedicação à imprensa, pelas suas opiniões e pelas análises políticas e sociais que faz em sua coluna, com imparcialidade e competência. Tornou-se, desse modo, o nosso Castelinho, para reviver a figura desse ícone do jornalismo brasileiro que foi Carlos Castello Branco.

Devido ao estado de saúde do diretor-presidente, Pedro Freire, Borges, pelo seu desempenho como diretor de redação contribui, decisivamente, para o funcionamento e a sobrevivência do jornal.

Não obstante todos os avanços e facilidades trazidos pela tecnologia, a presença humana continua sendo imprescindível para o êxito de qualquer empreendimento. É nesse ponto que se destaca o desempenho de Nonato Borges, alguém que tem os melhores

relacionamentos no meio social e político da sociedade maranhense, merecendo a acolhida de todos e a confiança para receber certas confidências exclusivas.

Por todos esses predicados é que o nome de Borges merece estar associado a essa festa centenária como um dos seus protagonistas.

Sinproesemma e entidades sindicais de Viana garantem Precatórios do Fundef para trabalhadores em educação do município

Projeto de lei dispõe sobre a valorização de servidores efetivos com recursos financeiros decorrentes das diferenças dos repasses do FUNDEF

O Sinproesemma garantiu o rateio dos Precatórios do Fundef para os trabalhadores em educação de Viana. Pelo texto aprovado, por unanimidade, na Câmara Municipal de Vereadores, no final do mês de junho, o prefeito fica autorizado a fazer pagamento aos profissionais do Magistério da rede municipal de ensino ativos nos anos / exercícios de 1998 a 2020 como valorização de carreira, correspondente a 60% do valor remanescente dos precatórios do Fundef. Do percentual restante, que corresponde a 40%, 5% serão destinados para a valorização dos demais servidores efetivos lotados na Secretaria Municipal de Educação e os outros 35% serão investidos de acordo com o plano de ações do município.

Cada profissional receberá valor proporcional ao tempo de serviço que esteve inserido na rede municipal de ensino entre 1998 a 2020, ficando assegurado o direito para os profissionais da educação que se aposentaram, faleceram ou que, por qualquer motivo, se desligaram da rede, desde que seja comprovado os serviços prestados.

Construído a partir de comissão formada pelo Sinproesemma, Sinprov, SSPMVC e acompanhada pelo Conselho Municipal de Educação de Viana, Conselho do FUNDEB e Fórum Municipal de Educação as negociações em torno do melhor texto, foram obtidas após muitas horas de estudo das leis municipais, sobretudo o Plano Municipal de Educação do Município, que após vários encontros apresentou uma proposta à gestão municipal no dia 20 de fevereiro de 2020. Após uma sequência de reuniões virtuais no mês de junho, devido a pandemia da Covid-19, no dia 30 o texto final foi aprovado no parlamento municipal.

Segundo o Professor Amarildo Silveira, Secretário de Assuntos Educacionais e coordenador do Sinproesemma na regional de Viana, a união entre sindicatos que representam os trabalhadores em educação foi um fator decisivo para a aprovação do projeto.

“Quando as pessoas deixam de lado as vaidades e são capazes de trabalhar em equipe quem ganha é o conjunto dos trabalhadores. A divisão do protagonismo entre os sindicatos e as entidades que compuseram a comissão foi fundamental para o desfecho positivo das negociações e, consequentemente, para a aprovação do projeto por unanimidade na Câmara de Vereadores de Viana”, frisou o sindicalista.

Já o presidente do Sinproesemma, Raimundo Oliveira, disse que essa foi uma vitória na luta pela garantia dos precatórios do Fundef para os trabalhadores em educação.

“Essa foi mais uma importante vitória para os trabalhadores em educação na luta pelos precatórios do Fundef, a exemplo do que vem acontecendo em vários municípios do Maranhão. O Sinproesemma vem travando várias batalhas, tanto no campo político, quanto no jurídico em busca da garantia da Lei do Fundef, com os recursos distribuídos em 60% para os trabalhadores em educação e 40% para a manutenção da educação. Essa foi só mais uma etapa vencida no município de Viana, a luta não para. Trabalhadores e sindicatos precisam estar unidos em defesa de seus direitos, e o Sinproesemma estará preparado no sentido de construir caminhos que contemplem o uso correto desses recursos”, ressaltou Oliveira.

Governo divulga pagamento dos precatórios do Fundef; veja datas

MARANHÃO – O Governo do Maranhão anunciou o início do pagamento de mais uma parcela dos precatórios do Fundef para professores da rede estadual de ensino. Os valores serão pagos com atualização monetária e contemplarão servidores ativos, aposentados, desligados e herdeiros, conforme cronograma divulgado pelo governador Carlos Brandão.

De acordo com o calendário, os pagamentos terão início no próximo dia 16 de junho e seguirão até o dia 22, quando começa o repasse destinado aos herdeiros, observando a tramitação individual de cada processo.

Confira o calendário de pagamento dos precatórios do FUNDEF

  • 16 de junho – servidores ativos;
  • 17 de junho – aposentados;
  • 18 de junho – desligados;
  • 22 de junho – início do pagamento dos herdeiros.

Segundo o governo estadual, os valores serão creditados já com as devidas atualizações.

Governo relembra início da ação judicial

Ao anunciar o pagamento dos precatórios do Fundef, o governador Carlos Brandão destacou que a ação judicial que garantiu os recursos teve início em 2003, quando ele ocupava o cargo de secretário-chefe da Casa Civil no governo de José Reinaldo Tavares.

Segundo Brandão, foi naquele período que o Estado decidiu ingressar na Justiça para reivindicar os recursos destinados à educação.

Recebemos os professores e decidimos entrar na Justiça, em nome do Estado, para defender o direito dos educadores aos recursos do Fundef. Essa foi a primeira iniciativa dessa luta. Sem ela, não haveria precatório a ser pago hoje”, afirmou.

Estado tenta evitar desconto de honorários

O governador também informou que a Procuradoria-Geral do Estado protocolou uma petição para impedir que 15% dos recursos sejam destinados ao pagamento de honorários advocatícios.

A medida busca garantir que a totalidade dos valores permaneça com os profissionais da educação beneficiados pelos precatórios do FUNDEF.

De acordo com o governo, a atuação jurídica tem como objetivo assegurar que os professores recebam integralmente os recursos considerados de direito da categoria.

Carlos Brandão entrega 12 mil tablets para estudantes do Ensino Médio da regional de Viana

A terça-feira (9) foi marcada por uma agenda de entregas e vistorias em Viana. O governador Carlos Brandão esteve no município para entregar cerca de 12 mil tablets a estudantes do ensino médio da regional de educação de Viana, dentro do programa Tô Conectado, além de vistoriar obras de abastecimento de água e pavimentação urbana.

Governador em visita ao município de Viana

Do total de equipamentos distribuídos, 2 mil foram destinados aos alunos de Viana. A ação beneficiou ainda estudantes de outros municípios da Baixada Maranhense, fortalecendo as políticas de inclusão digital e apoio ao ensino.

Durante a agenda, Brandão destacou que os investimentos vão além da educação, incluindo a ampliação do sistema de abastecimento de água, obras de infraestrutura e a implantação do Centro de Hemodiálise. Segundo ele, a obra de abastecimento está em fase final e deve solucionar um problema histórico enfrentado pela população.

O prefeito de Viana, Carrinho Cidreira, agradeceu os investimentos realizados pelo Governo do Estado e ressaltou a importância das ações para o desenvolvimento da cidade e da região.

Além da entrega dos tablets, o governador também repassou um veículo à Câmara Municipal de Viana por meio do programa Coopera Maranhão e encerrou a agenda com uma vistoria às obras de ampliação dos serviços de captação e abastecimento de água do município.

Cerâmica de 6.600 anos no Maranhão está entre as mais antigas das Américas, aponta estudo

No litoral do Maranhão, entre as baías de São Marcos e São José, está guardado um dos capítulos mais antigos da história das Américas. Um estudo publicado na revista científica Minerals analisou fragmentos de cerâmica de três sítios arqueológicos do Golfão Maranhense e confirmou: ali se produziu cerâmica de forma contínua por quase 7 mil anos, em uma das tradições mais antigas do continente.

Os artefatos vêm de três sambaquis — sítios formados por acúmulo de conchas e restos da vida cotidiana de povos antigos: Sambaqui do Bacanga, Sambaqui da Panaquatira (ambos na ilha de São Luís) e Rabo de Porco (na região do Itapecuru).

Quase 7 mil anos de história

A ocupação humana na região começou há cerca de 9.500 anos, com povos caçadores-coletores. A produção de cerâmica veio depois, e em datas que impressionam (medidas em “anos AP”, ou antes do presente):

A produção do Bacanga se estendeu até por volta do século XIV; a da Panaquatira, até a chegada dos europeus; e a do Rabo de Porco, até o século XVII.

Cinco técnicas para “ler” um caco

Para investigar 63 fragmentos sem danificá-los, os pesquisadores combinaram cinco métodos científicos, vários deles nucleares: fluorescência de raios X (EDXRF), emissão de raios X induzida por partículas (PIXE), espectroscopia Mössbauer, difração de raios X (DRX) e radiografia computadorizada. Juntas, essas técnicas revelam a composição química da argila, a temperatura de queima e até a estrutura interna das peças.

Fogo entre 750 °C e 900 °C

Uma das descobertas centrais é a temperatura de queima: entre 750 °C e 900 °C, sempre em ambiente oxidante (com oxigênio). Como os cientistas chegaram a isso? Por dois marcadores:

  • Hematita: acima de 600 °C, esse óxido de ferro se forma e dá à cerâmica o tom avermelhado característico.
  • Mica (muscovita): esse mineral “desaparece” acima de cerca de 900 °C. Sua presença ou ausência funcionou como um termômetro do passado.

As peças do Rabo de Porco, queimadas a cerca de 750 °C, mostraram um domínio técnico diferente das demais — sinal de tradições distintas convivendo na mesma região.

O segredo estava nas conchas

Talvez o achado mais revelador esteja na “receita” da massa. As cerâmicas continham grãos de quartzo, fragmentos de outras cerâmicas e, sobretudo, fragmentos de conchas misturados ao barro. Essa adição é uma marca da chamada tradição Mina, e tinha função prática: aumentar a resistência da peça e evitar que ela trincasse ou rachasse ao secar e queimar.

O Sambaqui do Bacanga teve a maior proporção de temperante (4,23%), indicando escolhas técnicas próprias de cada grupo.

Radiografia de padrão de alumínio e fragmentos de cerâmica do SP, RP e SB, respectivamente. Figura 9. Radiografia de padrão de alumínio e fragmentos de cerâmica do SP, RP e SB, respectivamente. As regiões mais brancas das amostras representam as partes mais densas do material.

Duas “escolas” e a argila secreta

A análise química permitiu agrupar os sítios. Bacanga e Panaquatira usaram argilas semelhantes; já o Rabo de Porco usou um barro diferente, identificado como vindo da margem do rio Bacanga. As diferenças apareceram em elementos como estrôncio, cálcio e zinco — e no rubídio, presente só nas peças do Rabo de Porco.

Curiosamente, os autores lembram que, historicamente, os oleiros costumavam escolher suas fontes de argila em segredo e em locais de difícil acesso — o que ainda hoje dificulta rastrear a origem exata das matérias-primas.

Por que isso importa

O estudo reforça que o Brasil abriga um patrimônio pré-colonial de valor mundial — e que a ciência consegue, hoje, reconstruir gestos técnicos de povos que viveram há milênios. É um lembrete de que a riqueza histórica do país vai muito além do período colonial e de seus casarões preservados: começa milhares de anos antes, no barro moldado às margens da Amazônia maranhense.

Sustentabilidade exige ação, governança e capacidade de transformar territórios

O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, reforça a importância de conciliar desenvolvimento, proteção ambiental e qualidade de vida. Em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais perceptíveis, a data convida à reflexão sobre as responsabilidades de governos, instituições e cidadãos na construção de sociedades mais sustentáveis e resilientes.

Em 2026, essa reflexão ganha ainda mais relevância. Às vésperas da data, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução histórica reforçando o entendimento da Corte Internacional de Justiça de que os Estados possuem obrigações jurídicas concretas no enfrentamento das mudanças climáticas. A proteção ambiental deixa, cada vez mais, de ser apenas um compromisso ético para assumir a dimensão de dever legal.

Esse novo cenário impõe desafios inéditos aos governos, às empresas, às universidades e à sociedade. Não basta reconhecer a gravidade da crise. É necessário construir instrumentos capazes de transformar compromissos em resultados mensuráveis.

Nesse contexto, ganham importância mecanismos que permitam avaliar, comparar e estimular boas práticas de sustentabilidade. Um dos exemplos mais promissores é o UI GreenCityMetric, iniciativa internacional inspirada na experiência bem-sucedida do UI GreenMetric World University Rankings, que há anos avalia o desempenho socioambiental de universidades em diferentes países.

A proposta agora é ampliar essa lógica para os municípios, criando indicadores objetivos capazes de medir a sustentabilidade urbana em diferentes dimensões da gestão pública. Entre elas estão a governança da água, gestão de resíduos sólidos, energia e mudanças climáticas, mobilidade urbana, governança ambiental e planejamento territorial.

Mais do que um ranking, trata-se de uma ferramenta de gestão. Ao analisar aspectos como proteção de recursos hídricos, saneamento, coleta seletiva, adaptação climática, transporte de baixa emissão, educação ambiental, arborização urbana e conservação de áreas verdes, o sistema oferece aos gestores públicos um diagnóstico claro de seus avanços e dos desafios que ainda precisam ser enfrentados.

Experiências internacionais demonstram que aquilo que é medido tende a ser melhor gerenciado. Indicadores transparentes ajudam a orientar investimentos, definir prioridades e fortalecer políticas públicas baseadas em evidências. Ao mesmo tempo, permitem que a população acompanhe o desempenho dos governos locais e participe de forma mais qualificada das decisões sobre o futuro das cidades.

A construção de cidades sustentáveis depende, cada vez mais, de uma governança capaz de integrar planejamento, ciência, participação social e inovação. Nesse processo, as universidades possuem papel estratégico.

A USP, reconhecida entre as instituições mais sustentáveis do mundo, vem ampliando sua atuação para além dos limites dos campi. Por meio da Superintendência de Gestão Ambiental (SGA), a USP passa a atuar como interveniente do UI GreenCityMetric, contribuindo para aproximar o conhecimento científico da gestão municipal.

Essa participação representa uma oportunidade importante para os municípios paulistas. Além de apoiar a adesão ao sistema de avaliação, a Universidade poderá colaborar na capacitação técnica das administrações locais, auxiliando gestores na compreensão dos indicadores, na coleta de dados e na elaboração de estratégias capazes de elevar o desempenho ambiental das cidades.

A iniciativa reforça uma vocação histórica da universidade pública: transformar conhecimento em benefício social. Em um momento em que os desafios ambientais exigem respostas cada vez mais complexas, a aproximação entre academia e poder público torna-se elemento fundamental para acelerar a transição rumo a modelos mais sustentáveis de desenvolvimento.

O legado da COP 30 evidenciou que a transição para uma economia de baixo carbono depende cada vez mais da capacidade de implementação das políticas públicas em nível local. Os municípios ocupam posição estratégica nesse processo, pois são responsáveis por áreas diretamente relacionadas à qualidade ambiental e à adaptação climática. Fortalecer a governança municipal e disponibilizar ferramentas de avaliação e monitoramento torna-se, portanto, um passo essencial para transformar compromissos globais em resultados concretos para a população.

A experiência internacional também mostra que a sustentabilidade depende da existência de parâmetros claros e confiáveis. É o mesmo princípio que sustenta as chamadas taxonomias verdes, instrumentos que classificam atividades econômicas de acordo com sua contribuição para objetivos ambientais. Ao oferecer segurança e transparência, esses mecanismos ajudam a direcionar investimentos para projetos alinhados à transição ecológica.

A União Europeia tornou-se referência nesse campo ao estabelecer sua Taxonomia para Atividades Sustentáveis. O resultado tem sido o fortalecimento do financiamento de iniciativas voltadas à economia de baixo carbono, demonstrando que boas políticas públicas podem criar condições favoráveis para que a sustentabilidade e o desenvolvimento caminhem juntos.

O mesmo raciocínio se aplica às cidades. Municípios que investem em planejamento ambiental, infraestrutura verde, gestão eficiente dos recursos naturais e adaptação climática tornam-se mais resilientes, mais atrativos para investimentos e mais preparados para enfrentar os impactos das mudanças do clima.

O desafio que se coloca para esta década é transformar conhecimento em ação. Não há mais espaço para políticas fragmentadas ou para a falsa oposição entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental. O futuro será construído por aqueles que compreenderem que competitividade, qualidade de vida e sustentabilidade são partes inseparáveis de uma mesma agenda.

O Dia Mundial do Meio Ambiente nos lembra que o tempo das promessas já passou. O momento exige liderança, cooperação e capacidade de implementação. E, nesse esforço coletivo, universidades, governos e sociedade têm uma responsabilidade comum: construir cidades mais sustentáveis, resilientes e preparadas para as próximas gerações.

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Centro de Ensino Antero Câmara Penha celebra Dia Mundial do Meio Ambiente com desfile de moda sustentável

Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta quinta-feira (5), o Centro de Ensino Antero Câmara Penha promoveu uma programação especial voltada à conscientização ambiental, unindo criatividade, educação e sustentabilidade por meio de um desfile de moda sustentável.

Evento foi realizado em Penalva

O evento destacou o talento e o compromisso dos estudantes com a preservação do meio ambiente. As peças apresentadas na passarela foram confeccionadas a partir de materiais recicláveis e reutilizáveis, como garrafas PET, papéis, tecidos usados, plásticos e outros resíduos que ganharam uma nova utilidade através da criatividade dos participantes.

Mais do que uma simples apresentação de roupas, o desfile se transformou em uma verdadeira demonstração de que é possível aliar arte, inovação e responsabilidade ambiental. Cada criação evidenciou a importância do reaproveitamento de materiais e do consumo consciente, reforçando a necessidade de reduzir os impactos causados pelo descarte inadequado de resíduos.

A iniciativa também teve como objetivo despertar a reflexão sobre a adoção de hábitos sustentáveis no dia a dia. A mensagem transmitida pelos alunos e educadores foi clara: pequenas atitudes, como reduzir, reutilizar e reciclar, contribuem significativamente para a preservação dos recursos naturais e para a construção de um futuro mais sustentável.

A direção da escola destacou que ações como essa fortalecem a educação ambiental e incentivam os estudantes a se tornarem agentes de transformação em suas comunidades, levando conhecimento e conscientização para além dos muros da instituição.

O desfile de moda sustentável marcou as celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente no Centro de Ensino Antero Câmara Penha, mostrando que a criatividade pode ser uma importante aliada na defesa do planeta e que o cuidado com a natureza começa com as escolhas e atitudes de cada cidadão.

Comissão aprova projeto que assegura criação de grêmios estudantis nas escolas

Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. Tarcisio Motta (PSOL - RJ)
Tarcísio Motta: instrumento relevante de formação cidadã para os estudantes

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4138/25, que garante a criação de grêmios estudantis nas escolas, ainda que existam grupos ou programas de representação de alunos no local.

A proposta, de autoria da deputada Maria Arraes (PSB-PE), altera a lei que regulamenta os grêmios estudantis no país (Lei 7.398/85). Segundo ela, a ideia é prevenir práticas institucionais que restrinjam, de forma indireta, a autonomia e a participação política dos estudantes no ambiente escolar.

Favorável à matéria, o relator, deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), fez um ajuste (emenda) no texto original para exigir que as escolas garantam espaços físicos e acesso aos canais institucionais de comunicação para os representantes estudantis. “A livre organização dos estudantes, por meio de grêmios, constitui instrumento relevante de formação cidadã, participação política e vivência democrática no ambiente escolar”, defendeu.

Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e será agora analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Roberto Seabra

Segundo a psicologia, adultos que assistem aos desenhos da infância desenvolvem um “analgésico” especial para aliviar a exaustão da mente

Getty Images/Mattel Television

Caverna do Dragão, Cavalo de Fogo, He-Man, Dragon Ball… A televisão apresentou alguns dos nossos desenhos animados favoritos: das atrações exibidas na TV Globinho aos clássicos do Bom Dia & Cia, no SBT, passando pelos sucessos do Cartoon Network. Hoje, graças aos streamings, ficou muito mais fácil revisitar essas animações ou assistir a seus reboots. E não há absolutamente nada de errado em ser adulto e continuar vendo desenhos.

Em uma era marcada por fadiga digital, ansiedade no trabalho e excesso constante de informações, cada vez mais pessoas têm buscado conforto justamente nos desenhos com os quais cresceram. E a psicologia tem uma explicação bastante clara para isso.

Ouvir novamente as vozes de personagens inesquecíveis que fizeram parte da infância desperta memórias associadas a períodos em que a vida parecia mais simples, com menos pressão, menos incertezas e menos responsabilidades. O que pode parecer apenas nostalgia, na verdade, revela uma forma de o cérebro procurar estabilidade emocional e sensação de segurança em meio ao estresse que enfrentamos no cotidiano.

Quando estamos cansados, o cérebro busca lugares que considera seguros

Um dos conceitos mais estudados atualmente é o dos chamados “programas de conforto”. O cérebro acaba encontrando repouso em histórias que já conhece perfeitamente. Sabe como os personagens se expressam, que tipo de humor encontrará e até como os episódios terminarão. Isso reduz a sensação de incerteza e diminui a carga mental.

Mattel Television

Uma pesquisa publicada no prestigiado Journal of Consumer Research explica que o consumo nostálgico pode funcionar como uma ferramenta psicológica capaz de ajudar na recuperação do equilíbrio emocional em períodos de ansiedade ou instabilidade.

Em outras palavras, quando o presente se torna exaustivo, o cérebro tende a buscar experiências familiares, nas quais quase não existem surpresas. É por isso que tantas pessoas reassistem aos mesmos programas repetidamente em momentos de estresse no trabalho, ansiedade, exaustão emocional, incerteza financeira ou simplesmente sobrecarga digital. A familiaridade acaba funcionando quase como um analgésico cognitivo.

Muito além da nostalgia: animações da TV ainda fazem sentido na vida adulta

Parte desse hábito também está relacionada a um fator importante: alguns desenhos nunca foram voltados exclusivamente para crianças. Embora visualmente se parecessem com animações infantis, muitos abordavam temas que passam despercebidos pelos pequenos, como crise existencial, frustrações, medo do fracasso, inseguranças ou depressão.

Por isso, revisitar essas histórias não envolve apenas nostalgia. Para muitos adultos, trata-se também de uma forma de validação emocional diante dos desafios reais da vida adulta.

Especialistas entrevistados pela Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association) explicam que a nostalgia pode fortalecer a identidade pessoal, gerar sensação de bem-estar emocional e até reduzir sentimentos de solidão.

Paramount Global

Em paralelo, o cenário digital atual contribui ainda mais para esse comportamento. Vivemos cercados por novas séries estreando toda semana, algoritmos disputando nossa atenção, redes sociais, vídeos curtos, notícias em tempo real e uma sobrecarga constante de estímulos.

Nesse contexto, dar play em conteúdos familiares, ou seja, em histórias nas quais já sabemos o que esperar, reduz o esforço mental de escolher algo novo. A nostalgia funciona quase como uma pausa emocional em meio a um ambiente digital cada vez mais saturado.

É justamente por isso que plataformas de streaming e grandes estúdios não estão apenas vendendo desenhos animados. Na prática, eles comercializam algo muito mais poderoso: a sensação emocional de retornar a uma época em que a vida parecia mais simples.

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