Humanos da Era do Gelo caçavam mais fêmeas de mamute, diz estudo

Uma equipe internacional de pesquisadores, liderados pela Universidade de Estocolmo, na Suécia, descobriu que os humanos da Era do Gelo tinham como alvo seletivo as fêmeas de mamute-lanoso. Os resultados foram obtidos a partir da avaliação do material genético obtidos a partir dos ossos dos animais e publicados, ontem, na revista Current Biology.

Para o trabalho, a equipe analisou dados genômicos de 521 mamutes-lanosos incluindo 448 indivíduos que tiveram material genético sequenciado pela primeira vez. Os restos dos animais recuperados de ambientes naturais dispersos eram predominantemente de machos, 66%.

Segundo os cientistas, esse resultado reforça a ideia de que machos solitários tinham maior probabilidade de morrer em armadilhas naturais como deslizamentos de terra, aumentando, assim, a chance de preservação óssea a longo prazo. Em contraste, os mamutes de sítios onde viviam humanos eram predominantemente fêmeas, 70%, levantando questões sobre como os caçadores-coletores da Era do Gelo interagiam com os mamutes.

“Há décadas se debate se esses enormes acúmulos de ossos de mamute foram formados naturalmente ou pela caça humana”, afirma David Díez del Molino, pesquisador do Centro de Paleogenética da universidade e autor senior do estudo. E prossegue: “Ao comparar as proporções genéticas de sexo de centenas de mamutes de ambientes naturais com as encontradas nesses contextos arqueológicos, podemos agora inferir que a atividade humana foi o principal fator por trás desses acúmulos de ossos”.

Os cientistas afirmam que presumir que os caçadores visavam as fêmeas por serem menores que os machos adultos pode ser um engano, pois se os mamutes se comportavam como os elefantes modernos, as fêmeas que viviam em manadas matriarcais poderiam ter defesas coletivas que tornariam seu abate mais perigoso.

Segundo os autores, outra possibilidade é que as manadas lideradas por fêmeas se deslocassem pela paisagem de maneira mais previsível do que os machos solitários, “o que significa que os caçadores-coletores do Paleolítico Superior poderiam apenas encontrá-las com mais frequência, seja para caçar ou para coletar restos”, afirma Hannah M. Moots, pesquisadora de pós-doutorado e principal autora do estudo.

Os mamutes eram um recurso vital para as populações humanas da Era do Gelo, fornecendo carne, gordura, couro e ossos para a construção de estruturas, além de marfim para ferramentas, arte e ornamentos. Os depósitos de ossos desses animais incluídos no estudo abrangem 11 sítios arqueológicos importantes da Era do Gelo na Eurásia, datando de aproximadamente 30 mil a 20 mil anos atrás.

Rara descoberta genética

Os pesquisadores identificaram ainda um mamute da Ilha Wrangel, na Rússia, que não era XX, biologicamente fêmea, nem XY, biologicamente macho. Em vez disso, esse indivíduo apresentava uma combinação diferente de cromossomos sexuais, conhecida como mosaicismo X0/XX, tendo uma única cópia do cromossomo X em algumas células e duas em outras. Em humanos, essa condição é conhecida como síndrome de Turner. Essa é a primeira vez que o fenômeno é documentado em uma espécie extinta.


Descubra mais sobre O Vianense

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Não encontrou o que procura? Nós facilitamos para você. Digite o termo que deseja encontrar e clique na lupa. 🔍