
Com a aproximação das férias, muitas pessoas começam a buscar opções de viagens que se distanciam do turismo tradicional, priorizando experiências que ofereçam atividades diversificadas, passeios e um contato mais íntimo com a natureza. Nesse cenário, o ecoturismo surge como uma alternativa cada vez mais atrativa para aqueles que desejam aliar lazer, aventura e um compromisso com a sustentabilidade ambiental.
Segundo Sidnei Raimundo, professor associado da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e especialista no setor de Lazer e Turismo, “o ecoturismo pode ser visto como um segmento de mercado que envolve um conjunto organizado de serviços e itinerários destinados a um público específico, que dedica seu tempo livre a conhecer e vivenciar ambientes naturais. Essa motivação principal não impede que os visitantes explorem outros locais durante a viagem, mas a natureza permanece como o foco central.”
Para satisfazer essa demanda, são disponibilizados tipos específicos de hospedagem, serviços especializados e atividades como trilhas guiadas, além de iniciativas de educação ambiental e observação da fauna e flora. Contudo, o professor ressalta que ecoturismo não deve ser confundido com turismo convencional em áreas naturais. “Para que uma atividade possa ser classificada como ecoturismo, é fundamental que três pilares sejam respeitados: a preservação ambiental, a experiência consciente do turista e a participação das comunidades locais nas decisões”, enfatiza.
Setor demonstra crescimento
Desde o começo do século 21, especialmente após o isolamento durante a pandemia da covid-19, o ecoturismo apresentou um crescimento considerável. O confinamento fez com que muitos reconhecessem a importância de ter acesso a espaços ao ar livre e ao contato direto com a natureza, resultando em um aumento na busca por essas atividades, tanto no Brasil quanto no exterior, de acordo com o especialista.
O Brasil estabeleceu o Plano Nacional de Turismo (PNT) 2024–2027, que delineia políticas públicas focadas no desenvolvimento do ecoturismo, com a colaboração do Ministério do Turismo e do Ministério do Meio Ambiente. Este plano destaca a importância de práticas sustentáveis, da conservação da natureza, da inclusão das comunidades locais e da contribuição do turismo no enfrentamento da emergência climática.
Em parques naturais e áreas protegidas, existem regras específicas para a visitação, que incluem a exigência de acompanhamento por guias capacitados e limitações na instalação de infraestrutura em certas regiões. Além disso, foram criadas técnicas para monitorar os impactos das visitas, baseadas em indicadores que avaliam se as atividades turísticas provocam danos ao meio ambiente.
“O Brasil tem um potencial gigantesco para o ecoturismo, pois abriga a maior biodiversidade do mundo, com biomas como a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica, o Pantanal e o Pampa. Contudo, mesmo com essa riqueza natural, ainda há necessidade de aprimorar os serviços oferecidos aos turistas, para que o País se torne mais competitivo no cenário internacional do ecoturismo,” conclui o professor.
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