Quem é Tatiana Sampaio, líder das pesquisas com polilaminina

Tatiana Sampaio coordena os estudos sobre a polilaminina, uma substância experimental que ganhou destaque como potencial abordagem para lesões medulares. Professora associada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela dirige o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas e é a principal responsável pelo projeto que investiga o composto no Brasil.

Em janeiro, a Anvisa autorizou o início do primeiro estudo clínico de fase 1 com polilaminina. Nesta etapa inicial, o objetivo é avaliar a segurança do produto em cinco pacientes adultos com lesão aguda completa na medula torácica; a fase não tem por objetivo comprovar eficácia, mas identificar possíveis reações adversas. A aplicação prevista é única e ocorre durante cirurgia, diretamente na área lesionada.

A polilaminina é produzida a partir da laminina, proteína extraída de placenta humana e submetida a um processo de polimerização. Embora haja hipóteses sobre como a substância poderia favorecer a regeneração neural, o mecanismo de ação ainda não está totalmente esclarecido, conforme aponta a própria Anvisa, o que reforça a importância de ensaios clínicos rigorosos.

Mesmo com a visibilidade pública, os estudos ainda estão em estágio inicial e não há comprovação científica de eficácia em humanos. O uso fora de protocolos aprovados não é permitido, e o laboratório envolvido alerta para golpes e ofertas irregulares que prometam tratamento fora dos estudos oficiais.

Formada em Biologia pela UFRJ, Tatiana fez mestrado em biofísica e doutorado em ciências na mesma universidade. Realizou pós-doutorados nos Estados Unidos (imunoquímica, Universidade de Illinois) e na Alemanha (inibidores de angiogênese, Universität Erlangen-Nuremberg). Desde 1995 atua como professora em regime de dedicação exclusiva, ministrando disciplinas de graduação, participando de programas de pós-graduação e coordenando pesquisas sobre matriz extracelular e regeneração do sistema nervoso.

Desde 2019 ela lidera o projeto “Desenvolvimento de um medicamento com base em polilaminina”, em parceria com a farmacêutica Cristália, além de coordenar estudos clínicos fase 1/2 voltados a avaliar segurança e eventual eficácia em lesões raquimedulares agudas. Ao longo da carreira, publicou trabalhos sobre laminina polimerizada e regeneração neural.

Com o avanço regulatório, Tatiana passou a receber reconhecimento fora do meio acadêmico: teve encontros com autoridades e menções públicas por figuras políticas e artistas, mas pesquisadores e sociedades científicas reiteram a necessidade de cautela. Estudos até agora envolveram poucos pacientes e os resultados são iniciais.

Especialistas recomendam que a polilaminina permaneça restrita a protocolos de pesquisa aprovados até que evidências robustas sobre segurança e eficácia sejam obtidas. As próximas fases de investigação serão determinantes para esclarecer o potencial terapêutico e os riscos associados.

Fonte: https://midias.agazeta.com.br/2026/02/27/a-biologa-tatiana-sampaio-professora-doutora-da-universidade-federal-do-rio-de-janeiro-ufrj-3161848-article.webp


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