A recente quebra de sigilo bancário aprovada pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS trouxe o deputado estadual maranhense Édson Araújo para o centro das investigações.
De acordo com o relato do vice-presidente da CPMI, deputado federal Duarte Júnior, a análise dos dados bancários confirmou as suspeitas que circulavam em torno do deputado. “Tivemos acesso à quebra do sigilo bancário do deputado Édson Araújo e encontramos uma série de depósitos suspeitos, especialmente em junho de 2024”, afirmou.
Conforme Duarte, nesse único mês, foram creditados mais de R$ 54,9 milhões na conta pessoal do parlamentar. Ele ressaltou que essa quantia não apresenta justificativa em rendimentos que sejam conhecidos ou em atividades empresariais que tenham sido declaráveis.
“Não foi porque ele descobriu a cura para o câncer. Não foi porque ganhou na Mega-Sena”, ressaltou Duarte. “Não existe nenhuma explicação plausível para um valor tão elevado”, frisou, destacando que os dados coletados até agora indicam indícios claros de irregularidades.
A movimentação financeira sob análise é parte das investigações que visam a detectar fraudes relacionadas a descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. A CPMI está investigando entidades, operadores e intermediários que possivelmente se beneficiaram de cobranças não autorizadas, retirando recursos diretamente dos benefícios previdenciários.
Segundo Duarte Júnior, os dados bancários reforçam a suspeita de que os valores encontrados possam ter relações diretas com o esquema que está sendo investigado. “Não há dúvidas de que as evidências são fortes, indicando que esse dinheiro veio das contas dos aposentados e pensionistas”, disse.
O deputado também afirmou que, desde o ano passado, sofreu pressões e tentativas de intimidação por parte de Édson Araújo, sendo que isso coincidiu com o avanço da comissão nas quebras de sigilo. Segundo ele, essa pressão visava dificultar as investigações. “Foi por isso que no ano passado ele me ameaçou, tentando barrar as apurações”, relatou.
Com base nas informações obtidas, a vice-presidência da CPMI já articulou a convocação de Édson Araújo para que preste esclarecimentos. A expectativa é que essa audiência ocorra em fevereiro, quando a comissão dará seguimento a uma nova fase de trabalhos.
“Conversei com o presidente e o relator, e como vice-presidente, solicitei que a convocação do deputado estadual ocorra o mais rápido possível, em fevereiro, para que possamos identificar e punir com rigor aqueles que usaram de poder e privilégios para roubar pessoas vulneráveis”, afirmou.
A convocação visa esclarecer a origem desses valores, identificar os remetentes dos depósitos e confirmar se existe uma ligação direta entre a movimentação financeira e o esquema de fraudes contra os beneficiários do INSS. A CPMI ainda pretende averiguar se houve o uso de intermediários, empresas ou indivíduos para ocultar a origem dos valores.
Apesar do foco principal da investigação ser o esquema nacional ligado à previdência, o contexto político de Turilândia, no Maranhão, onde Édson Araújo é eleito, torna o caso ainda mais relevante.
A cidade, informalmente, passou a ser conhecida como “cidade da corrupção” após a prisão, no último dezembro, do prefeito, da vice-prefeita e de praticamente toda a Câmara Municipal. Ela é alvo de uma investigação paralela conduzida pelo Ministério Público do Maranhão, que está apurando um esquema abrangente de desvio de recursos públicos na prefeitura.
Recentemente, a Operação Tântalo II, liderada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), resultou na prisão preventiva do prefeito Paulo Curió, da primeira-dama, de ex-integrantes do governo municipal e de vereadores, sob a acusação de participar de uma organização criminosa que desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos. Embora as situações sejam distintas em sua essência, os membros da CPMI consideram que o recentíssimo histórico de Turilândia fortalece a necessidade de uma análise meticulosa dos fluxos financeiros atípicos envolvendo agentes políticos da região.
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